Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/10/2018

Sob a égide do Estatuto da Criança e do Adolescente (Eca), é dever da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos dessa parcela da população. Todavia, o que se observa cotidianamente é o aumento exponencial da gravidez precoce nessa faixa etária e das suas implicações, devido à imprudência característica desse período da vida, bem como a omissão de instituições primordiais na formação ética e moral da juventude brasileira.

Efetivamente, a postura negligente de parte dos jovens no tocante à prática antecipada de relações sexuais e à utilização de métodos contraceptivos constitui um fator preponderante na ocorrência da gravidez precoce nessa faixa etária. A esse respeito, o Movimento de Contracultura - estabelecido em meados do Século XX- utilizava o sexo como estratégia de subversão social. Em analogia, tal circunstância adquire contornos específicos no convívio social brasileiro, pois predomina, entre a juventude, um paradigma deturpado no qual a prática sexual, na maioria das vezes, sem o uso de preservativo, é aplicada para demonstrar maturidade e independência perante a família e aos amigos, o que contribui, sobremaneira, para o alto índice de mães e pais menores de idade e, por conseguinte, suas implicações, como  abandono escolar, problemas psicossociais e gravidez de risco.

Ademais, parte das instituições sociais, como famílias e escolas, desconsideram a necessidade de uma responsabilidade compartilhada no que tange à oferta de educação sexual para os jovens. Sob essa óptica, a ausência de debates nos lares e nas salas de aulas, devido, sobretudo, à fatores religiosos ou a preconceitos infundados, corrobora a perpetuação da gestação precoce, uma vez que esses indivíduos não são bens instruídos acerca dessa temática, dependendo, exclusivamente, das informações encontradas na internet ou repassadas no convívio com os colegas. A título de ilustração, segundo a OMS, o Brasil apresenta gravidez na adolescência acima da média latino-americana. Tal panorama ratifica o paradigma filosófico de Michel Foucault, ao afirmar, em “A ordem do discurso”, que sociedade tende a silenciar assuntos que causam desconforto, considerando-os “temas tabus”.

Portanto, cabe à mídia socialmente engajada, em parceria com o Ministério da Saúde, desconstruir o comportamento imprudente dos jovens, por meio de ficções engajadas acerca da maternidade antecipada, no fito de desenvolver uma cultura profilática por parte desses indivíduos. Outrossim, compete às famílias e às escolas trabalhar a temática da gravidez na adolescência, a partir, respectivamente, de diálogos frequentes nos lares e de debates e peças teatrais estudantis, que explicitem as consequências oriundas da maternidade nessa fase da vida, utilizando ainda a distribuição de livros socioeducativos acerca da temática, no fito de efetivar os direitos previstos no ECA