Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/11/2018

A produção canadense Juno, indicada ao Oscar em quatro categorias, retrata uma problemática comum em muitos países: a gravidez na adolescência. É evidente, no cenário brasileiro, que essa situação ainda persiste apesar da taxa de fecundidade feminina ter caído nas últimas décadas. É indubitável a manutenção desse entrave social por causa do tabu ainda existente na sociedade, assim como a ausência do governo.

É relevante abordar, inicialmente, que a persistência de crianças e jovens grávidas é resultado do paradigma equivocado de que a abordagem da prática sexual e das contracepções pode encorajá-las a se tornarem sexualmente ativas. Entretanto, a não prevenção da gravidez na adolescência coloca o Brasil com um taxa de fertilidade juvenil acima da média latino-americana, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, de modo que de 1 a cada 5 bebês nascidos é de adolescente (dados do  Banco do Ministério da Saúde). É inegável, portanto, que essa realidade tem efeitos tanto para a mãe, uma vez que muitas abandonam a escola e se deparam com obstáculos para o desenvolvimento psicossocial como ingressar no mercado de trabalho, assim como para seu filho que tem mais risco de ter uma saúde mais frágil.

É primordial ressaltar, ainda, a negligência do poder público nas zonas que estão expostas à situação de maior vulnerabilidade e reproduzem os padrões de pobreza e exclusão social, de maneira que a vertente determinista, cara à escola literária do realismo, condiciona a alta taxa de fertilidade entre as adolescentes nas áreas com maior desigualdade social. Paralelo a isso, há um retrocesso no ensino sobre os temas de sexualidade e prevenção, de modo que revela um agravante: o perigo das doenças sexualmente transmissíveis, e muito pouco tem sido feitos no campo das medidas públicas de educação para tratar desse assunto. Logo, se a escola e a sociedade não educam para evitar a gravidez, também não estão preparadas para acolher as meninas gestantes.

Faz-se necessário, portanto, que os Ministérios da Saúde e da Educação aprovem políticas públicas em âmbito nacional, por meio de campanhas publicitárias nos meios de comunicação, além do aumento da participação dos agentes de saúde nas comunidades e nas escolas com palestras de conscientização, a fim de diminuir e erradicar esse problema. Cabe às famílias a superação dessa cultural de não falar sobre sexo e adotar uma comunicação com os jovens, tanto as meninas como os meninos, na perspectiva de elucidar o comportamento sexual deles e evitar os casos de gravidez na adolescência.