Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/11/2018

Na mitologia grega, as irmãs Danaides, após uma delas desobedecer as ordens de seu pai, foram condenadas a encher com água um tonel no Hades até transbordar, o culminou em uma situação eterna, já que o tonel não tinha fundo. No que tange à contemporaneidade brasileira, é perceptível que esse mito é semelhante à interminável luta contra a gravidez na adolescência, impasse o qual decorre não só de fatores sociais, mas também da ineficiência institucional.

Convém ressaltar, em primeira análise, que a questão da pobreza é intrínseca à essa questão. Consoante a Karl Marx, a desigualdade social é fruto da forma como a sociedade distribui os seus bens de consumo. Nesse sentido, é indubitável que a falta de uma educação de qualidade que oriente sobre educação sexual, assim como a precariedade do sistema público de saúde – muitas vezes incapaz de oferecer contraceptivos, pílula do dia seguinte ou mesmo acompanhamento nesses tratamentos –, são fatores que deixam as adolescentes de classes sociais pobres mais tangíveis à gravidez, infelizmente.

Convém pontuar, em segunda análise, que a falta de medidas efetivas contribui diretamente para que esse impasse permaneça interminável. Análogo a Thomas Hobbes, o homem abre mão de sua liberdade, para que, assim, o soberano possa governar e legislar a favor do seu povo. No entanto, a respeito da nação brasileira é notório que esse conceito tem sido violado à medida que, mesmo frente aos altos índices de gravidez precoce, o estado tem se mostrado ineficiente frente à essa questão. Como prova disso, tem-se os dados divulgados pelo portal Acidadeneon, que mostram um número de 90 757 adolescentes que se tornaram mães, o que apenas exprime a necessidade de intervenções.

Postas essas questões, infere-se a necessidade de caminhos de combate contra a gravidez na adolescência. Portanto, cabe ao Ministério da Educação atenuar esse paradigma, isso, por meio da oferta de aulas e oficinas de educação sexual nas escolas, que abranjam assuntos sobre a forma correta de se usar os meios de contracepção, bem como a importância desses, para que, assim, os menos prestigiados tenham também contato com esse assunto desde cedo. No mais, é imprescindível que o estado, por meio do Ministério da Saúde, intervirem nesse impasse, de modo a criarem postos especializados no atendimento às adolescentes, que ofereçam não só os medicamentos de prevenção, mas também o acompanhamento médico de contraceptivos regulados, isso, afim de que, diminua-se essa situação. Ademais, seguindo essas medidas, o Brasil caminhará para um futuro melhor, no qual a lutra contra a gravidez na adolescência, diferentemente à luta das irmãs danaides, terá fim.