Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Os adolescentes, por natureza, têm uma vivência singular do tempo, caracterizada pela impulsividade e não preocupação com as consequências futuras dos atos realizados aqui e agora. Essa impulsividade e a ausência de orientação sexual tanto familiar, quanto escolar, resultam em uma alta taxa de gravidez precoce no Brasil.
Observa-se, em primeira instância, que atualmente, os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm o discernimento necessário para saber se são corretas, distorcidas ou incompletas. Enquanto os pais se calam, por não ter um relacionamento aberto com os filhos, e a escola prega orientações puramente científicas, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, encontrando ávidos fregueses entre os adolescentes. Segundo a pesquisadora Anita Chandra, os adolescentes recebem uma quantia considerável de informações sobre sexo através da TV e a programação geralmente não destaca os riscos e responsabilidades do ato. Desse modo, é imprescindível que meios de orientar os jovens corretamente sejam criados.
Deve-se abordar ainda, que o desconhecimento sobre a sexualidade e a saúde reprodutiva, faz com que os adolescentes engravidem “sem querer”. Segundo uma pesquisa realizada por alunos do curso de medicina da Universidade Estadual da Paraíba, 80% dos jovens entrevistados não conhecem formas de contracepção. Dessa forma, muitos adolescentes estão iniciando sua vida sexual sem conhecer o funcionamento de seu corpo, nem tampouco métodos preventivos, fazendo com que fiquem expostos, tanto à gravidez precoce e não planejada, quando às doenças sexualmente transmissíveis.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, trabalhar na Estratégia Saúde da Família (ESF) com desenvolvimento de habilidades da saúde sexual e reprodutiva do adolescente, na perspectiva da promoção da saúde na prevenção da gravidez na adolescência. Por conseguinte, é dever do Ministério da Educação investir na capacitação e na qualificação de profissionais, tendo como resposta a ampliação do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades e a formação de uma consciência crítica. Ademais, as ações educativas também devem promover o debate, em palestras ministradas por profissionais da saúde, com a participação não apenas dos alunos, mas das famílias também, com o objetivo de ampliar o diálogo entre pais, filhos e escola, desmistificando e quebrado o tabu do sexo. Para que assim, os adolescentes se sintam confortáveis para tirar suas dúvidas e possam se prevenir contra a gravidez precoce.