Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 06/11/2018

Os contos de fadas geralmente acompanham o desenvolvimento psicossocial das crianças, de forma a influenciar seu comportamento, suas aspirações e sua bagagem sociocultural. Dito isso, vale apontar características de muitas das conhecidas princesas das histórias infantis, majoritariamente figuras adolescentes que, entretanto, se casam e então, vivem “felizes para sempre”. Contudo, a realidade de muitas jovens brasileiras está distante da dos livros: a gravidez precoce, bem como suas possíveis consequências - matrimônio indesejado, morte materna, marginalização e estigmatização social - ainda são questões a serem vencidas no Brasil.

Nessa vereda, merecem destaque os desenlaces da problemática supracitada para a gestante, tanto em relação a seu contexto social como quanto a sua individualidade. Em primeiro lugar, como já assinalada, a marginalização da mulher, além da intensificação das disparidades de gênero, resultantes do preconceito no mercado de trabalho e da maior probabilidade de dependência econômica para as que se sujeitam à gravidez sem o preparo necessário. Então, resta ressaltar o impacto da transformação no psicológico da moça, que pode ser comparado à situação descrita por Franz Kafka em “A Metamorfose”. Quanto a isso,casos de depressão pós-parto, transtornos psíquicos e o abandono do recém-nascido ilustram a complexidade do fenômeno em pauta para meninas ainda imaturas.

Não obstante, ressalta-se o significado da gravidez precoce no cenário nacional, que basicamente indica, quando recorrente, subdesenvolvimento e aviltamento governamental para com a população. Nesse viés, uma conjuntura como a brasileira, em que, segundo pesquisas, uma a cada cinco mulheres gestantes se encontra na adolescência, são denunciadas situações de carência educacional e sócio-econômica, que precisam atrair o olhar das gestões públicas.

Diante do pressuposto, é evidente a imprescindibilidade de ação estatal com o intuito de combater a constância da maternidade juvenil no Brasil e, concomitantemente, de adaptação das escolas e comunidade como um todo para a integração das jovens. Para isso, é importante que Governo (em esfera federal, estadual e municipal), em parceria com os ministérios da saúde e educação, viabilize e efetive a adoção de aulas de Educação Sexual e Saúde em todas as escolas públicas, a partir de determinado ano do Ensino Fundamental, como medida preventiva. Além do exposto, é válida a intervenção na estrutura de locais públicos, com, por exemplo, a construção de creches pelo poder municipal, como forma de impedir que a mulher seja excluída da comunidade, que abandone os estudos ou o mercado de trabalho por períodos de tempo maiores que o necessário. Assim, é possível garantir que as adolescentes continuem buscando o seu novo ideal de “feliz para sempre”.