Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/12/2018
Ao analisar o tema gravidez na adolescência vê-se que este é um problema que toma proporções alarmantes à medida que estudamos alguns dados. Segundo a OMS, em seu relatório divulgado no ano de 2018, a cada mil adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos, 68,4 ficaram grávidas e tiveram seus bebês. Uma gestação precoce estabelece uma ruptura na evolução psicológica, econômica e social da mãe adolescente que precisará interromper seus sonhos e planos para se adaptar à nova realidade.
No Brasil, não existe controle de natalidade. Com isso, assuntos como planejamento familiar e educação sexual ainda são pouco abordados na sociedade, contribuindo para que problemas como a gestação na adolescência tornem-se crônicos. Ademais, a modernidade, o excesso da velocidade, quantidade, bem como a pobreza na qualidade das informações recebidas e disseminadas pelos jovens geram mudanças que interferem, sobremaneira, em seu comportamento, em casa e na escola, tornando-os mais propensos a enfrentarem problemas de grandeza social como é a gravidez ocorrida na adolescência e as consequências advindas dela.
Os paradigmas da educação sexual para jovens de ambos os sexos precisam de mudanças, quebrando alguns tabus familiares, como por exemplo, não falar de sexo por medo de incentivar os jovens a iniciar a vida sexual precocemente, e acabar deixando esta tarefa, por vezes, desconfortável, para os professores. Por sua vez, as escolas, como forma de iniciar discussões sobre o tema, podem promover rodas de conversas semanais, com dinâmicas de grupo para os jovens, trazendo à luz das discussões problemas relacionadas à sexualidade, esclarecendo dúvidas, métodos de prevenção à gravidez, bem como infecções sexualmente transmissíveis, além de estimular e encorajar reuniões de pais para participá-los acerca dos esclarecimentos que acontecem nas rodas de conversação e torná-los também agentes de mudança na vida dos filhos.
Para Sêneca, a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida. É premente a necessidade de educar no ambiente familiar, mesmo que com pouca estrutura, e também na escola, sobre os efeitos decorrentes de uma gestação precoce para todos os atores envolvidos: a criança, que não terá toda a atenção e assistência necessárias, dadas as fragilidades do lar em que está sendo concebida, os pais e suas famílias, além da sociedade em geral, pois com a realidade de instabilidade econômica e a violência do nosso país, uma gravidez requer responsabilidade e planejamento.