Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 23/12/2018

Em entrevista ao médico Drauzio Varella, a Dra. Adriana Lippi Waissman do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCUSP), afirma que a gravidez na juventude não é novidade na história de vida das mulheres brasileiras, tendo em vista que muitas antepassadas casaram cedo, engravidaram logo e, durante a gestação e o parto, não receberam assistência regular. Fenômeno recorrente em todas as regiões do Brasil, a maternidade precoce possui traços em comum.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que no estado do Acre, por exemplo, 617 dos partos normais de janeiro a outubro de 2017, foram de mães com faixa etária entre 15 a 19 anos, afirma maior maternidade da região. Além disso, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 76% das adolescentes que dão a luz no país, abandonam a escola. Também, de acordo com o Departamento de Informação do Sistema Único de Saúde (DATASUS), 1 a cada 5 crianças nascidas no Brasil é filha de mães novas, e 1 a cada 3 bebês gerados na Ilha de Marajó vêm de genitoras jovens.

Outro aspecto a ser abordado, são os aspectos semelhantes que ocorrem em todos esses casos aqui explanados, conforme afirma o IPEA, tais como: a maioria deles acontecem em regiões periféricas; há um alto índice de baixa escolaridade das meninas; não houve planejamento da gravidez; as moças não possuem conhecimentos de métodos contraceptivos, além das avós servirem de espelhos, já que também procriaram na adolescência.

Em virtude dos fatos mencionados, cabe a cada estado da federação, criar programas de educação sexual preventiva, tanto para os pais quanto para os filhos, em bairros carentes, a fim de os orientarem nesse sentido, e disponibilizar mais métodos anticoncepcionais para as garotas. E ao Ministério do Trabalho e Emprego, criarem mais vagas de trabalhos, efetivos ou temporários com o intuito preencher o espaço vazio dos meninos, porque uma mente ocupada aprende desde logo, a ter responsabilidade e maturidade.