Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/03/2019

Antagonismos Históricos: Barreiras da gravidez precoce

Durante a Segunda Guerra Mundial,o mundo assistia ao “Baby Boom” - altos índices de natalidade- isso era visto como normativo,tendo em vista o casamento precoce e a submissão da mulher aos desejos sexuais de seus maridos. Na sociedade hodierna,portanto,o empoderamento feminino e os métodos contraceptivos deveriam possibilitarem o decrescimento do número de gravidez,principalmente na adolescência.No entanto, a ausência de educação sexual e a precarização do acompanhamento familiar na vida dos adolescentes,corroboram para os altos índices de gravidez precoce.

Em primeira análise,deve-se avaliar como na sociedade contemporânea existem métodos para evitar a gravidez indesejada. Entretanto, a sexualidade ainda é vista como um “tabu” e isso impede uma discussão ampla acerca de suas vertentes.O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu conceito de “Modernidade Líquida”,proferiu que a fluidez das relações contribui para a criação de “Instituições Zumbis”, as quais estão na inseridas no meio social e não agem de acordo com seus deveres,por exemplo, a escola. Desse modo, o ambiente escolar como uma das bases da formação do indivíduo deveria contribuir para o debate acerca da importância de entender a sexualidade,mas é imprudente por questões ideológicas e religiosas.

Em conjunto com esse cenário está inserida a família, a qual também é imprudente com a vida sexual dos filhos,uma vez que não utiliza medidas preventivas para futuros problemas, por exemplo, acompanhamento da saúde sexual  e conversação sobre como os filhos agem diante a sexualidade.Com isso,comprova-se a teoria do “Fator Social” de Émile Durkheim, que o indivíduo é aquilo que o meio faz dele. Logo,o meio que o adolescente está inserido o conduz a vida sexual ativa precocemente. Neste sentido,esse cenário corrobora para a gravidez precoce e junto com isso, conflitos psicológicos,inserção no mercado de trabalho antecipadamente,evasão escolar e em casos mais graves: Abandono das crianças geradas em abrigos por pressão social de pais e sociedade.

Diante disso,inicialmente cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as universidades de medicina incentivarem a formação de médicos da família, por meio da valorização e beneficiamento dos profissionais da área, com o intuito de aproximar a sociedade da saúde da família, mostrando aos pais a importância da saúde sexual dos filhos. Ademais,cabe ao Ministério da Educação promover educação sexual nas escolas, a utilizar profissionais da biologia,com aulas práticas e lúdicas sobre o respeito com o seu corpo e sua sexualidade e debater acerca da prevenção, com o intuito de modificar questões sociais persistentes no brasil. A partir disso,quebrar as barreiras da gravidez precoce.