Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/03/2019
Heranças de vida
Segundo o filósofo Matthew Lipman, é durante a infância que os indivíduos estão condicionados a aprendizados que refletem no futuro destes. Sob esta ótica, constata-se que a alta incidência de gravidez na adolescência é estimulada pela herança familiar e pela ausência de educação sexual entre os jovens.
Em primeira análise, é válido destacar que as antigas estruturas familiares, as quais adotavam a necessidade de casar e ter filho cedo, corroboraram com o vigente cenário de gravidez precoce. A respeito, de acordo com o Banco Mundial, a cada ano cerca de 15 milhões de garotas no mundo casam-se antes dos 18 anos e têm filhos entre os 15 e 19. Tais dados evidenciam o reflexo da perpetuação dos mais remotos hábitos entre os núcleos familiares, os quais tratavam essa problemática como natural e acentuaram a persistência desta hodiernamente.
É importante abordar ainda que a ausência de educação sexual é um fator estimulante dessa questão social. Pois, de acordo com o pensamento Durkheimiano, o ser é aquilo que a sociedade faz dele. Nesse sentido, o grupo social que aborda sexualidade como tabu, consequentemente terá jovens vulneráveis no que alude às consequências da gravidez na adolescência, entre as quais destacam-se o menor interesse aos métodos de prevenção e a desestruturação no que tange ao futuro dos jovens pais.
Diante disso, urge a promoção de medidas para coibir esse impasse. A priori, cabe às escolas, em parceria com os demais agentes civis, desenvolver debates socioeducativos com a ajuda de psicólogos e assistentes sociais a respeito do tema sexualidade. Ademais, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deve criar campanhas que busquem o convencimento acerca dos entraves gerados por uma gestação precoce para, assim, sensibilizar as futuras gerações e atenuar a manutenção dessa herança de vida.