Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 09/03/2019

Segundo dados do Ministério da Saúde, a cada hora, 3 meninas de 10 a 14 anos dão à luz a outras crianças no Brasil, e em 2015, 546 mil crianças nasceram de mães com idade entre 10 e 19 anos. Felizmente, esses dados alarmantes vêm diminuindo no país, porém, sabe-se que o número ainda é enorme e torna-se necessário entender as causas e consequências da gravidez na adolescência para atenuar o problema.

É relevante abordar, primeiramente, que a falta de educação sexual é propicia para que adolescentes tenham relações sexuais desprotegidas, uma vez que o tema é ignorado e tratado superficialmente pela escola. Assim, de acordo com o pensamento Durkheimiano, o ser é aquilo que a sociedade faz dele, nesse sentido, o grupo social que aborda a sexualidade como tabu, consequentemente, terá jovens vulneráveis no que diz respeito às consequências de uma gravidez precipitada. Sendo assim, meninas e meninos que não conhecem o próprio corpo, não entendem sobre os dias férteis, métodos contraceptivos e qual a verdadeira chance de engravidar em uma relação sexual, adentram, desprotegidos, perigosas aventuras pelas descobertas e desejos da adolescência, movidos pelo calor do momento e hormônios à flor da pele.

Em decorrência disso, muitas meninas engravidam, o que as leva a trilhar um caminho que as afasta completamente da escola e de uma vida profissional com expectativas melhores. Assim, de acordo com dados do Ipea, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola e mais da metade não estudam nem trabalham. Ainda, dentro das consequências, a gravidez não só traz obstáculos para o desenvolvimento psicossocial da mãe, como se associa a um maior risco de morte materna e uma gestação que costuma ser de risco com bebes prematuros com menor peso. Dessa forma, uma gravidez indesejada pode comprometer e alterar brutalmente os planos e sonhos de carreira de uma jovem e pode trazer prejuízos para a saúde de ambos os envolvidos.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para conscientização dos jovens a respeito do problema, urge que o MEC implante, por meio de modificação na Base Nacional Comum Curricular a disciplina de educação sexual - no Ensino Médio, além do nível fundamental –, ministrada por professores de biologia, preparados anteriormente para tal, incluindo palestras com agentes de saúde abertas à comunidade com ênfase na participação da família. Somente assim será dado um passo fundamental para que o jovem repense os hábitos praticados e saiba a importância de usar métodos contraceptivos no momento que o clima esquentar, criando uma sociedade mais saudável e mais segura para esses que poderão lutar pelos seus sonhos.