Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 12/03/2019

Mamadeira, fraldas, enxoval - artigos sinalizadores de uma gravidez em andamento. O sonho da gestação é um projeto que acompanha grande parcela das mulheres brasileiras. Apesar da redução nas taxas de fecundidade, que estão abaixo do nível de reposição populacional. Esses índices não tem diminuído entre as mulheres jovens do Brasil; sobretudo, as que se encaixam na faixa-etária de 15 a 19 anos - segundo dados do portal “R7 Saúde”. Nesse sentido, convém abordar algumas causas, que contribuem para essa problemática.

No seriado “Sex Education”, Otis filho de Jean, uma terapeuta sexual, vive cercado de informações relativas ao sexo e à sua prática. Apesar da liberdade para dialogar com sua mãe sobre seu problema com a masturbação, Otis sente-se constrangido pela presença materna. Nessa perspectiva, apesar de ser uma obra de ficção “Sex Education” introduz ao debate à Educação Sexual no Brasil. Tal qual o exemplo de Otis, grande parcela de jovens brasileiros, principalmente os do sexo feminino, sentem-se coagidos a debater sobre sexualidade com os pais. Resultante disso, à prática sexual torna-se alvo de curiosidade, e vergonha para os adolescentes. Produzindo-se desta forma, um quadro de maior suscetibilidade à frustração futura; pois, relações amorosas entre adolescentes tende a desbravar a sexualidade mútua - o conjunto de desejos e prazeres individuais. Todavia, na ausência de conhecimento prévio descobertas indesejadas surgem, como uma gravidez não planejada.

De modo similar à morte, para muitos pais brasileiros conversar com os filhos sobre sexo é uma verdadeira tortura. O medo da informação incentivar os filhos a tornarem-se sexualmente ativos, faz com que pais de todo Brasil ocultem e reprimam todo tipo de acervo de cunho sexual. Tal atitude, segundo a Médica Lúcia Alves, presidente da Comissão Nacional Especializada de Sexologia da Febrasgo: “[…] é consequência de uma visão em que o sexo é encarado como algo velado, não permitido e até sujo”. O que representa um paradoxo da gênese humana; sendo o homem um ser sexual, não falar sobre sexo, é negar a própria natureza. Pois, sem o ato sexual, não ocorre reprodução. Tal atitude fomenta apenas à criação de tabus, e à fragilização dos jovens brasileiros.

Em síntese, é de fundamental importância entender que o sexo não deve ser um tabu, em virtude de que representa o ápice da gênese humana. Desta forma, visando conscientizar os jovens brasileiros quanto à prática sexual, o Ministério da Educação em sinergia com especialistas da Febrasgo - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia - deve inserir na matriz curricular do Ensino Médio a matéria de Educação Sexual. Dessarte, em paráfrase à Sigmund Freud, concluí-se: que não há mérito algum em se ter vergonha da sexualidade.