Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/03/2019
De acordo com o artigo 03º da Declaração Universal dos Direitos do Homens, da qual o Brasil é signatário desde 1988, todos possuem o direito à vida e à saúde. No entanto, passados quase 30 anos desse importante compromisso, a sociedade ainda vivencia o aumento da gravidez na adolescência. Nesse sentido, faz-se necessário buscar caminhos no intuito de não somente desenvolver projetos de amparo psicológico e médico às adolescentes já grávidas, mas também aperfeiçoar os mecanismos de ensino sobre o sexo e os contraceptivos.
A princípio, vale ressaltar que na Grécia Antiga as mulheres eram vítimas da desigualdade de gênero, já que, segundo esse princípio, assumem apenas o papel de ferramenta para a proliferação humana. Dessa forma, ainda é possível perceber que, hoje, grande parcela das jovens a partir dos 15 anos de idade já são mães e esse contexto torna-se mais grave no Brasil. Prova disso, a taxa mundial de gravidez adolescente é de 46 nascimentos para cada 1 mil meninas, enquanto que no Brasil esse dado ultrapassa a marca dos 68 nascimentos. Tal índice é gravíssimo levando em consideração a quantidade populacional do país e, além disso, toma caminhos mais complexos quando, por conta da falta de projetos de companhamento médico e psicológico público, as jovens já grávidas passam a ter maiores riscos de problemas de saúde que, possivelmente, põe em xeque as suas vidas.
Em paralelo à questão do ensino a saúde sexual, é válido ressaltar que na educação básica brasileira as explicações de como prevenir a gravidez, quase sempre, não são abordadas entre educadores e alunos, devido a ideia de que abordar o tema sexo em aulas promove para a sua aplicação. Entretanto, a falta de conhecimento de como usar contraceptivos durante o ato sexual faz com que os jovens busquem se informar, na maioria dos casos, através da pornografia e, consequentemente, estão mais propícios a engravidar, visto que não conhecem as formas para conseguir as contracepções de emergência e como utilizá-las. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação em parceria com escolas municipais e federais agirem através de projetos para tornar o saúde sexual, desde o ensino no fundamental, uma matéria curricular obrigatória.
Amparar as jovens grávidas e usar a educação sexual nas escolas são, portanto, os caminhos que precisam ser trilhados pela sociedade e pelo poder público, objetivando amenizar os casos de gravidez na adolescência. Para tanto, é necessário que o Ministério Público de Saúde invista em campanhas de acompanhamento médico e psicológico de meninas grávidas, visando cuidar da saúde das gestantes e dos bebês. Por fim, é importante também que as novelas abordem temas voltados para o uso de contraceptivos, buscando informar mais sobre o ato sexual e, assim, possuir menos jovens grávidas.