Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/04/2019
No Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada mil meninas, de 15 a 19 anos, 68 delas engravidam precocemente. Esse dado, atesta um alarmante problema de saúde pública, que prejudica o desenvolvimento psicossocial e econômico das jovens. Logo, urgem medidas engajadas dos agentes adequados, com o escopo de modificar essa deletéria realidade no País.
Efetivamente, a gravidez na adolescência caracteriza-se como uma preocupante questão social, intensificada pelos escassos debates sobre a temática. Nessa perspectiva, observa-se que a educação sexual, no que diz respeito à orientação acerca da sexualidade e do uso de métodos contraceptivos, ainda é censurado em muitas famílias e instituições de ensino. Em contrapartida, tal questão é abordada nas mídias de maneira depreciativa e erotizada, corroborando a precoce iniciação sexual. Essa situação, em face da imaturidade e da incompreensão dos jovens, favorece a gravidez indesejada, além da disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e da ocorrência de abortos inseguros, fatores que afetam decisivamente a saúde e o desenvolvimento psicossocial das garotas.
Ademais, ressalta-se que, por ingenuidade ou submissão das meninas, são recorrentes os quadros de uniões precoces e de casamentos infantis, os quais propiciam a gravidez na adolescência. Essa conjuntura, presente, sobretudo, em famílias de menor poder aquisitivo, influencia no abandono escolar, evidente em 76% dos casos de meninas gestantes, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Por consequência, é inviabilizada a melhora nas perspectivas de vida das jovens, bem como a obtenção de empregos, em virtude da baixa qualificação profissional, corroborando a perpetuação da pobreza entre os segmentos mais humildes.
Destarte, é essencial alterar essa adversa conjuntura no País. Para tanto, é imprescindível que a família e a escola, instituições basilares para a formação dos indivíduos, mediante, respectivamente, reuniões domésticas periódicas e atividades interdisciplinares, enfatizem a questão da gravidez na adolescência, a importância da prevenção e as consequências que envolvem o tema, com o fito de reduzir os índices indicados pela OMS e possibilitar melhores condições de vida para as jovens. Concomitantemente, é impreterível que o Poder Público amplie as políticas voltadas à questão, vetando uniões conjugais entre adolescentes e oferecendo estruturas de apoio para as jovens mães, como a construção de mais creches, de modo a possibilitar o retorno das meninas para escola.