Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/04/2019
A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência é celebrada, anualmente, no período que inclui o dia 1º de fevereiro. Entretanto, esse fenômeno ainda persiste no Brasil, visto que a gravidez precoce é evidente entre os jovens, o que representa, assim, um desafio a ser enfrentado. Dessa forma, é necessário avaliar as causas e os efeitos desse cenário, que interfere na qualidade de vida de cada indivíduo, para, então, minimiza-las.
De início, cabe salientar, que o tabu associado às relações sexuais impede a conversação, com o objetivo de orientar os jovens. De acordo com Platão, o método dialético era a melhor forma de obter conhecimento, na medida que ocorria interlocução entre as partes. Assim, a ausência de diálogos no âmbito familiar, à respeito do uso de métodos contraceptivos - como o anticoncepcional para as meninas e a importância da camisinha - contribui para o adolescente não adquirir um esclarecimento seguro, o que amplia a chance de acontecer uma gravidez indesejada. Logo, a menor conscientização social consolida o aumento da gestação precoce.
É notório, ainda, que o baixo investimento governamental na prevenção da gravidez na adolescência, intensifica os obstáculos enfrentados por uma jovem mãe. Sabe-se, que após a promulgação da PEC 95 (Proposta a Emenda Constitucional), em 2017, os gastos públicos com saúde e educação foram limitados por 20 anos. Dessa maneira, a menor disponibilidade de verbas para a saúde pública, minimiza ações para orientar os adolescentes e o amparo às meninas grávidas por meio do pré-natal, através do auxilio de ginecologistas, mormente nas regiões de baixa renda. Ademais, a gravidez na adolescência não envolve apenas a questão física, mas também o enfrentamento do preconceito da sociedade e a necessidade de abandonar os estudos para se dedicar ao filho. Destarte, a inércia do poder público impacta o desenvolvimento físico, social e intelectual das jovens mães.
Fica claro, portanto, que a gravidez na adolescência requer ações efetivas para ser reduzida. Nesse sentido, o Governo Federal deve investir em projetos públicos contrários à gestação precoce, por meio do Poder Legislativo, com, inicialmente, a revogação da PEC 95 e a ampliação de verbas destinadas à educação sexual, por meio de ações publicitárias veiculadas nas redes sociais e internet, a fim de promover uma reflexão aos jovens sobre as consequências desse impasse, além de disponibilizar mais profissionais da saúde, como psicólogos e ginecologistas, nas Clínicas da Família, com o objetivo de orientar, tanto pais e filhos, sobre os métodos contraceptivos e ajudar a lidar com a gravidez. Espera-se, com isso, garantir que a gravidez seja planejada e realizada com responsabilidade.