Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/04/2019

O descompasso entre os malefícios do contexto pós-moderno e a desvirtuação da racionalidade humana. Essas são as principais particularidades atribuídas aos efeitos da maternidade pre-coce no Brasil hodierno. Nesse âmbito, o planejamento familiar consiste em um conjunto de ações sociais, previstas na Constituição de 1988, que visam ao controle das taxas de natalidade e fecundidade, sobretudo das adolescentes. Entretanto, tal direito encontra-se ameaçado quando analisada a precariedade da educação sexual no País, e isso fomenta a evasão escolar. Desse modo, é imprescindível perceber que a Federação ainda presencia corolários negativos, fazendo-se necessário analisar o binômio entre a quebra de tabus sociais e a percepção das benesses proporcionadas pela resolução de tal descompasso.

Nesse contexto, acentuou-se, recentemente, o debate acerca das implicações da gravidez precoce, haja vista o governo ainda ter dificuldade em uniformizar, por meio do SUS, o acesso a preservativos e métodos anticoncepcionais, principalmente em regiões periféricas dos grandes centros urbanos. Em face disso, uma gravidez mal planejada, como geralmente ocorre na faixa etária dos adolescentes, acarreta consequências danosas, como abortos espontâneos, doenças sexualmente transmissíveis e, principalmente, uma transformação psicológica dos pais, pois a chegada de um bebê é uma mudança muito severa na conjuntura familiar.

Em outro contexto, as sequelas de uma gestação prematura são ainda mais danosas quando não se tem o apoio da família, pois tal rejeição pode gerar instabilidade psicológica para a progenitora e, em casos lamentáveis, o abandono do bebê. Em verdade, tal cenário é representado pelo enredo da obra literária Menina Mãe, autoria de Maria da Glória, a qual expressa o preconceito sofrido por Salma, uma jovem que engravidou aos doze anos e foi abandonada pela mãe, envergonhada com a atitude da filha.

Destarte, evidencia-se a tese dos impactos da gravidez precoce e dos óbices institucionais os quais impedem sua melhor resolução. Para tanto, a escola deve reformular sua didática de conduta com os adolescentes quanto à precocidade das relações sexuais, por meio da prática de metodologias ativas, tais como palestras e fóruns de discussão, ministrados por profissionais das diversas áreas, como assistentes sociais e psicólogos, todos especializados em orientação dos jovens. Por fim, essas ações buscam identificar as emoções, medos e dúvidas dos adolescentes sobre afetividade, relacionamentos e sexo seguro, a fim de que casos como o de Salma não venham a concretizar-se na realidade.