Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/04/2019

Na antiguidade, Aristóteles atribuía ao azeite de oliva um fator de prevenção da gravidez, desde que as mulheres o usassem como “sabonete” após o coito. Nesse contexto, hodiernamente, mesmo diante dos avanços significativos nos métodos anticoncepcionais, percebe-se a configuração de inúmeros casos de gravidez na adolescência, causando sérios problemas para o desenvolvimento dessas jovens, porquanto são afastadas da escola. Com isso, é notória a dicotomia das causas: Inoperância da educação sexual e comportamento social.

A princípio, é sabido a relevância da Escola na formação de jovens conscientes. Entretanto, na culta brasileira cria-se a barreira contra assuntos concernentes ao sexo na adolescência, haja vista pais e professores que se limitam a conversar com os jovens sobre métodos contraceptivos, em virtude do temor de induzi-los ao ato sexual. No entanto, Durkheim dizia que os infanto-juvenis são semelhantes à uma tábua em branco que precisa ser preenchida com o conhecimento. Desse modo, fica evidente a ignorância dos pais e professores no debate sobre o assunto, uma vez que tem como finalidade a advertência sobre métodos contraceptivos, riscos da gravidez para o futuro. Por consequência, reduzir os elevados índices de abandono da escola por causa da gestação.

Outrossim, desde a época de Aristóteles, as mulheres são estereotipadas como instrumento de procriação em uma visão sexista. Destarte, apesar dos avanços femininos, em ambientes rurais, percebe-se uma concepção ainda arraigada de patriarcalismo. Por consequência, meninas casam-se precocemente, corroborando para a interrupção do desenvolvimento, tendo em vista que elas são isoladas de atividades do mercado e da educação, impedindo a realização profissional. Nesse aspecto, esse é uma grave problema social, pois impõe padrões e, com isso, obstrui os sonhos de muitas garotas, por exemplo o de ser, médica, advogada, engenheira.

Em síntese, urgem ações sinérgicas para corrigir esse panorama. Para isso, a Família e a Escola precisam entrar em um acordo na educação sexual dos jovens, isto é, homens e mulheres, a fim de alertá-los sobre os efeitos negativos da gravidez precoce, para isso os pais devem conversar com os seus filhos e, ainda, permitir que os professores atuem em conjunto nesse ensinamento, com o fito de garantir o pleno desenvolvimento na adolescência. Ademais, o Ministério da Educação precisa selecionar pedagogos para atuar na meio rural, por meio da conversa com a família sobre as oportunidades que as filhas podem ter na educação em detrimento do matrimônio na fase juvenil, a fim de erradicar com o drástico comportamento sexista.