Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 31/05/2019

No filme “Juno”, é retratado o cotidiano dificultoso enfrentado por uma adolescente que se descobre grávida. Hodiernamente, a parcela de jovens brasileiras que desenvolve a condição gestacional também apresentam quotidiano análogo, característico da conciliação morosa da vida acadêmica com o papel materno e a intensa exclusão social desse grupo.

Primeiramente, vale ressaltar que a eclosão da Terceira Revolução Industrial modificou significativamente a dinâmica do mercado de trabalho, já que uma oportunidade de emprego de qualidade só pode ser alcançada por uma mão de obra extremamente qualificada. Nesse sentido, a população de gestantes jovens se torna ameaçada à condição futura de desemprego, uma vez que o foco e preocupação no desenvolvimento do papel materno favorece o desempenho acadêmico inadequado no âmbito escolar, o que futuramente prejudica a qualificação da gestante no mercado de trabalho especializado, destinando à mãe uma condição financeira desfavorável. Dessa forma, o sucesso pessoal da mãe é dificultado e a perspectiva de uma qualidade de vida à criança é deteriorada.

Em segundo lugar, o constante preconceito da sociedade à essa parcela da população também degenera esse contexto. Apesar do Estado nacional ser declarado constitucionalmente como laico, o aspecto conservador da sociedade permite que determinadas vertentes religiosas influenciem nos pensamentos e condutas em questão da sociedade. A reação opressora da sociedade as jovens grávidas pode ser explicada nessa lógica, em que é existente uma condenação social a qualquer indício de relação sexual anterior ao ato matrimonial. Nesse sentido, as jovens gestantes se tornam mais excluídas e menosprezadas socialmente.

Portanto, é inegável que as adolescentes gestantes brasileiras apresentam uma rotina desfavorável tanto academicamente quanto socialmente. É necessário que o Ministério da Educação viabilize um ensino específico para as alunas gestantes, por intermédio de legislações acadêmicas que tornem obrigatório o investimento salas de aula com uma infraestrutura específica para as jovens gestantes em escolas que ministram o ensino médio, a fim de evitar a evasão escolar dessa parcela da população. Outrossim, as ONG’s devem instigar o comportamento repressivo da sociedade em relação as gestantes, mediante criação de grupos anônimos que permitam o discurso detalhista de adolescentes sobre sua história pessoal de desenvolvimento gestante, com o fito de conscientizar a sociedade a respeito do contexto específico sofrido por esse contingente populacional. Dessa forma, é possível evitar que o enredo da produção cinematográfica do filme “Juno” se repita na realidade.