Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/04/2019

Nas décadas de 10 e 30, o Brasil era predominantemente agrário, ou seja, ter filhos era sinônimo de mão de obra, portanto casos de gravidezes precoces eram comuns. Atualmente, o cenário é oposto, porém o número de adolescentes gestantes se tornou caso de saúde pública e social, mesmo com a queda de 3% de mães entre 10 e 14 anos. A ausência de orientação adequada no meio familiar provoca um efeito cascata, sem os debates em casa, a escola não consegue suprir a necessidade de formação sexual adequada e, quando a gravidez começa, a evasão escolar é praticamente obrigatória visto que há uma necessidade precoce de inserção ao mercado de trabalho.

Sigmund Freud, explicou em uma de suas obras que a sexualidade infantil inicia-se aos 5 anos de idade. Em seus estudos, determinou que o conhecimento e desenvolvimento da personalidade da criança está diretamente relacionada aos ensinamentos dos pais, ou seja, a educação sexual começa em casa. Porém, a persistência do tabu quanto a esses assuntos é constante, principalmente em famílias menos abastadas, o que causa a perpetuação não pedagógica de assuntos intrínsecos da natureza humana como desenvolvimento sexual.

Em concordância com esses fatos, o ambiente escolar torna-se a única fonte de informação a esses jovens, que já estão naturalmente formados psicologicamente de acordo com a teoria Freudiniana. Normalmente, as palestras e os ensinos dados pelo ambiente escolar não suprem a lacuna do defasamento causado pela neglicência dos pais, o que pode causar a gravidez precoce. Por conseguinte, com a necessidade de manter um criança e, por conta do não reconhecimento social sofrido pelo adolescente, há o fenômeno de evasão escolar, o que corrobora com estatísticas do IBGE que, dentre 5 adolescentes grávidas 4 interrompem os estudos.

Por fim, o Ministério do Trabalho pode agendar em empresas públicas e privadas, palestras de conscientização aos pais e, usar esse tempo como hora de trabalho, principalmente em macro indústrias que empregam famílias de baixa renda. Com isso, ocorre a diminuição do tabu em volta da sexualidade, reduzindo o déficit pedagógico nos lares brasileiros. Em paralelo a isso, O MEC pode usar sua ferramenta online de vídeo aulas -MECFLIX-, para criar minisséries de casos reais de gravidez precoce, de forma que o adolescente possa ter contato indireto com situações sociais próximas e, refletir sobre os riscos futuros que uma gravidez na adolescência pode causar, resultando na diminuição de tais situações e, informando de forma gratuita e democratizada jovens considerados grupo de risco.