Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 08/05/2019
“Meninas” – documentário brasileiro dirigido por Sandra Werneck – relata o cotidiano de quatro adolescentes durante o seu período gestacional, demonstrando as principais dificuldades vivenciadas por uma mãe muito jovem. Semelhante ao filme, a gravidez na adolescência é uma realidade no Brasil, a qual traz implicações que necessitam ser avaliadas com cautela. Nesse contexto, é possível destacar o início precoce da vida sexual e a desinformação sobre saúde reprodutiva como os maiores indícios da problemática.
Em primeiro plano, é notório que a atividade sexual tem se iniciado cada vez mais cedo entre os jovens no país. De acordo com um estudo sobre mães adolescentes, divulgado no Portal G1, a idade da primeira relação sexual está, em média, entre 14 a 15 anos. Entretanto, devido à inexperiência e à falta de uma orientação adequada para indivíduos nessa faixa etária, os jovens fazem mau uso dos métodos contraceptivos, o que representa um risco para a contração de doenças sexualmente transmissíveis e, principalmente, para uma gravidez indesejada. Sendo assim, faz-se necessário estimular a abordagem dessa temática, sobretudo nas instituições de ensino do país.
Ademais, outro ponto de relevância diz respeito à carência de informações acerca da saúde reprodutiva na adolescência. A esse respeito, observa-se que a incidência da maternidade precoce tem relação direta com a fragilidade da educação sexual, visto que a maioria dos indivíduos desconhece a anatomia humana e os problemas fisiológicos que podem se originar de uma gravidez na fase juvenil – tanto para a mãe, quanto para a criança. Nesse sentido, no que tange ao pensamento do filósofo brasileiro Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda, uma vez que é preciso criar políticas públicas direcionadas a esse setor.
Diante dos fatos mencionados, percebe-se que a gravidez na adolescência tem se tornado uma questão em pauta no Brasil. Para resolver tal impasse, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, o papel de desmistificar os conhecimentos acerca da sexualidade, por meio da criação de palestras socioeducativas, nas quais médicos e sexólogos instruam os jovens quanto à fisiologia do corpo humano, higiene pessoal e métodos contraceptivos, a fim de que as relações sexuais sejam feitas de maneira segura e responsável. Dessa forma, será possível prevenir uma gestação impensada e transformar a sociedade como é proposto por Freire: mediante a educação.