Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 09/05/2019
O filme estadunidense “Juno”, lançado em 2008, retrata a história de Juno MacGuff, uma adolescente de 16 anos que engravida de seu melhor amigo, Paulie Bleeker, e tem de enfrentar inúmeras adversidades em decorrência da gravidez indesejada. Tal narrativa fictícia assemelha-se a realidade de milhares de jovens brasileiras, uma vez que o país apresenta a taxa de fecundidade adolescente acima da média mundial. Sob essa perspectiva, é necessário analisar os mecanismos responsáveis pela elevação dos números de jovens e adolescentes grávidas, sendo estes, a escassa educação sexual em conjunto com a desigualdade social.
Mormente, há o panorama histórico e cultural. Pierre Bourdieu, filósofo francês, formulou o conceito de “habitus”, isto é, a incorporação de uma determinada estrutura social, capaz de influir o modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que o indivíduo se inclina a confirmá-la e reproduzi-la. Análogo a isso, nota-se, que os valores morais alicerçados com a doutrina cristã, inseridos durante o período colonial brasileiro, impuseram, de certa forma, a exaltação da pureza sexual. Logo, diante desses preceitos o sexo tornou-se um enorme tabu na sociedade hodierna. Entretanto, com ou sem educação sexual, ao chegarem ao último ano do Ensino Médio, quase 50% dos garotos e garotas já se tornaram sexualmente ativos, afirma o site Acidadeon; portanto, precisam de informações precisas e mais acesso a contraceptivos.
Ademais, no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS, a taxa de gravidez na adolescência é de 68,4 para cada mil meninas de 15 a 19 anos e em áreas mais vulneráveis e carentes há maior incidência, cerca de 53%; visto que, o acesso a métodos contraceptivos é dificultado e a desinformação é gritante. Por conseguinte, a gravidez precoce pode desencadear sérios riscos às vidas das adolescentes, como a dificuldade do desenvolvimento psicossocial, devido ao preconceito, pois a sociedade em geral, as consideram promíscuas, pelo fato de engravidarem jovens, além de um maior risco de morte materna.
Em suma, medidas são necessárias para combater o impasse. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, em consonância com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, criar um projeto de prevenção à gravidez, no qual consistirá a adição do conteúdo de educação sexual na grade curricular, a fim de mitigar a desinformação. Outrossim, o Ministério da Saúde deve divulgar de forma massiva, por meio de veículos midiáticos, a disponibilização de métodos contraceptivos gratuitos em postos de atendimento, com o fito de diminuir as taxas de gravidez durante a adolescência.