Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/05/2019
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante que toda criança e adolescente, independentemente de cor, etnia ou classe social, sejam tratados como pessoas que precisam de atenção, proteção e cuidados especiais para se desenvolverem e se tornarem adultos saudáveis. No entanto, esse plano teórico não se aplica bem à realidade brasileira, já que, segundo dados do IBGE os números referentes às gravidezes na adolescência crescem a cada ano. Esse quadro é agravado devido ao descaso do Estado em políticas de prevenção da gravidez precoce e ao grande tabu que a educação sexual enfrenta na sociedade.
No que concerne à problemática, a desinformação acerca da educação sexual é o principal fator de gravidez precoce, visto que deriva de uma crença equivocada das escolas, junto às família de que instruir os adolescentes sobre prevenção sexual pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos. Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Certamente, a atuação do cristianismo na colonização brasileira impôs a exaltação da pureza sexual, sendo assim a comunidade brasileira incorporou essa imposição e infelizmente naturalizou o sexo como um enorme tabu. Isso é notório, à medida que 625.750 de garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo, segundo o site Acidadeon.
Outrossim, a partir da frase do Economista Roberto Campos, a qual dizia “Tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”, analisa-se que o Brasil que está entre as 10 maiores potências mundiais falha em promover igualdade, pois, apesar de ser um país relativamente rico, é notório o número de pessoas marginalizadas. Por consequência, tal negligência resulta em jovens vulneráveis, na medida em que eles não têm educação de qualidade , o que impossibilita um perspectiva em relação ao mercado de trabalho. Como exemplo, mais de 80% das adolescentes que são mães hoje não estudam e nem trabalham, conforme o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.
Diante do exposto, é preciso que o Ministério da Educação, pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, crie um projeto de prevenção à gravidez, no qual consistirá a adição da matéria sobre educação sexual na grade curricular, além de um fórum virtual para que a família tenha o direito de opinar e dar ideias para tais aulas, com o intuito de envolver a comunidade no combate à problemática. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento intensifique os programas sociais, como o Bolsa Família, a fim de promover a inserção na sociedade dos brasileiros marginalizados. marginalizados,oportunisociais, como educação e trabalho.