Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 21/05/2019

Harlem, bairro de Nova Iorque, 1987. É nesse contexto que a adolescente de 16 anos Claireece “Preciosa” Jones enfrente uma série de dificuldades. No âmbito familiar “Preciosa” é abusada sexualmente pelo pai, o que resulta em duas gravidezes e, por conta disso, é expulsa da escola. Fora da ficção, no Brasil, de acordo com o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), uma em cada 5 crianças que nascem é filha de uma adolescente entre 10 e 19 anos. Nessa perspectiva, a compreensão do entrave histórico-cultural que minimiza ou exclui a possibilidade de um debate sobre a sexualidade e a expansão de programas multissetoriais de educação e prevenção sexual são potencias alternativas visando o reduzir os casos de gravidez na adolescência e seus nocivos impactos na sociedade.

Inicialmente, é importante ressaltar que a sexualidade ainda é vista como um tabu. Desde tempos remotos Instituições Religiosas trabalham com a ideia de condenação do profano e preservação do sagrado: para o cristianismo, por exemplo, a mãe de Jesus é virgem, portanto, concebeu sem fazer sexo. Nesse caso, a mensagem implícita para as boas cristãs e que deve-se perseguir um ideal de pureza, que se cristaliza e é passado para gerações futuras. De acordo com dados da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), 41% dos entrevistados revelaram que não conversam sobre sexualidade com os pais e uma expressiva parcela (67%) gostaria que em suas respectivas famílias existisse o diálogo sobre o assunto. Para o pensamento freudiano, os adultos são determinados pelas experiências da infância o que sugere uma mudança em tal pensamento.

Ademais, não estão sendo garantidos aos jovens informações precisas e em linguagem adequada sobre seus direitos e deveres sexuais. De acordo com o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), por falta de informação, adolescentes sem escolaridade ou com escolaridade básica possuem 4 vezes mais chances de ficarem grávidas em comparação com jovens com ensino médio ou superior. Conforme o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) o Brasil apresentou redução de 17% de gravidezes durante a adolescência, queda essa diretamente relacionada a expansão de programas de saúde familiar e do programa “Saúde na Escola” que oferece informações sobre educação e saúde aos alunos.

Ademais é mister que programas de prevenção direcionados a sociedade reduzem os nocivos impactos da questão supracitada, diminuindo a vulnerabilidade intelecto-social e atenuando a ideia de reprodução de padrões de pobreza e exclusão social. Sendo assim, é necessário que o Governo, em parceria com o Ministério da Educação financie projetos educacionais nas escolas , através de uma ampla divulgação midiática que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores, alunos e sociedade. as ações citadas dar-se-ão com a ajuda de todos e, iniciadas no presente, serão capazes de  mudar o futuro da sociedade brasileira.