Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/05/2019
Immanuel Kant, filósofo iluminista, argumentava que a menoridade é o estado em que o homem se encontra manipulado sem capacidade de pensar por conta própria, dependendo dos outros para sua ações se concretizarem. Nesse sentido, o moralismo, que deriva da formação histórica do Brasil, persiste em nossa sociedade concomitantemente aos avanços da comunicação e, por conseguinte, temas como a sexualidade continuam como tabu, porém, em contrapartida, as informações sobre esses assuntos, hoje, são obtidas por outras vias que não as tradicionais.
É valido considerar, antes de tudo, as origens da moralidade em relação às relações sexuais. O Brasil, antes da chegada dos europeus, não possuía problemas em relação à sexualidade. Esse fato pode ser observado nas cartas enviadas por Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, nelas ele descreve os índios como sem vergonha por andarem nus. No entanto, ao iniciar a colonização a cultura portuguesa fora imposta aos índios, sendo essa baseada nos valores católicos. Com isso, as relações sexuais passaram a serem vistas como pecaminosas. Esses valores permanecem na sociedade contemporânea apesar das mudanças tecnológicas e sociais o que causa problemas na forma como os adolescentes, hoje, recebem essas informações.
Sendo assim, cabe apontar as consequências negativas desse panorama. Visto que o avanços nos meios de comunicação tornam a comunicação entre pessoas desconhecidas extremamente fácil, o adolescente, ao entrar em contato com pessoas inadequadas, acaba sendo manipulado a acreditar em informações irreais. Esse fato, associado à falta de comunicação dos familiares ou até mesmo da escola, coibidos pelos valores que regem a sociedade, torna os adolescentes alienados dos perigos que uma relação sexual sem proteção pode resultar. Com isso, cresce o número de adolescentes com filhos, como é evidenciado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada a qual demonstra que 1 a cada 5 crianças possuem mães com até 19 anos de idade. Nesse sentido, essas mães por serem tão novas acabam tendo que sair da escola para cuidadas dos filhos o que na maioria dos casos resulta na família indo para um estado de miséria com péssimas condições de vida.
Fica claro, portanto, a necessidade da divulgação dos cuidados que os adolescentes devem tomar ao iniciar a vida sexual. Sendo assim, o Ministério da Educação deve organizar palestras, em todas as escolas brasileiras, organizadas e pensadas por psicólogos e pedagogos de cada localidade afim de adequar as informações com a realidade do município. Para que os alunos se conscientizem da importância da utilização de métodos contraceptivos nas relações sexuais. Somente assim, a manipulação da menoridade será positiva para a sociedade brasileira.