Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 31/05/2019

Séculos atrás, a fim de evitar a gravidez indesejada, as mulheres egípcias usavam fezes de crocodilo e órgãos de animais como métodos contraceptivos. Já no Brasil, mesmo com o passar dos anos, com o avanço e a acessibilidade dos métodos citados, o número de gravidezes na adolescência cresce a cada dia. Por prejudicar a condição física e psicológica das jovens, a gestação na juventude precisa receber a devida atenção da sociedade e do Estado, com o objetivo de diminuir os crescentes casos no país.

Primordialmente, sabe-se que o aumento do índice de jovens grávidas no Brasil deve-se a diversos fatores. A falta de diálogo entre pais e filhos sobre a sexualidade, por exemplo, contribui com a desinformação e  curiosidade dos jovens, que munidos disso, praticam relações sexuais sem o uso de preservativos ou outros meios contraceptivos. Ademais, a gestação precoce acarreta danos irreversíveis ao corpo e à saúde da gestante, uma vez que as chances de doenças e problemas surgirem nesse contexto são bem maiores, em virtude principalmente do físico despreparado e imaturo. Em 2014, por analogia, cerca de 1,9 mil adolescentes brasileiras faleceram por causa de complicações durante a gravidez, fato este que expressa os riscos oriundos do impasse mencionado.

Outrossim, a condição psicológica das garotas durante e após a gestação pode ser fortemente abalada, se essas não possuírem apoio familiar no decorrer de todo o processo. Muitas vezes as famílias dessas jovens as rejeitam ou não as amparam, seja por não aceitarem o fato de uma gravidez indesejada, seja pela pressão e julgamento social diante do acontecimento. Além disso, o fato de muitos adolescentes acharem-se novos demais para a função de pai ou temerem a família da grávida, corrobora com os incontáveis e covardes abandonos paternos. Por essas razões, além da física, a saúde psíquica dessas moças também é facilmente afetada, o que prejudica a vida não somente da mãe, como a da criança.

Dado o exposto, portanto, é imprescindível que o número de gravidezes na adolescência diminua no país. Para isso, cabe à família e à sociedade o dever de conscientizar os jovens sobre os malefícios da supracitada problemática, mediante diálogo aberto e frequente no cotidiano - que ainda é um tabu entre as famílias brasileiras -, com o fito de evitar as perigosas gestações precoces. Da mesma forma o Ministério da Saúde deve oferecer assistência às gestantes em questão, disponibilizando médicos e psicólogos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), a fim de proporcionar maior conforto e segurança durante a trajetória materna. Além disso, o mesmo Ministério deve estimular o uso de métodos contraceptivos entre os jovens, mediante palestras regulares nas escolas - públicas e particulares -, com o objetivo de amenizar a gravidez imatura em evidência no contexto brasileiro.