Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 22/06/2019

“Teen Mom” é uma série americana, no formato de “reality show”, cuja premissa é acompanhar a vida de jovens que se tornaram mães durante a adolescência. Não distante da realidade norte-americana, os desafios enfrentados pelas jovens durante a maternidade também se aplicam à realidade brasileira, na qual verifica-se que o Brasil registra 68,4 nascimentos para cada mil adolescentes com idade entre 15 e 19 anos, segundo dados da ONU. Em vista disso, o contexto socioeconômico se configura como uma das principais causas da gravidez na adolescência e que, por sua vez, provoca efeitos em todo desenvolvimento psicossocial desse grupo.

Em primeira análise, é impossível desviar o olhar das causas que favorecem este contexto. Embora sabe-se que, as taxas gerais de fecundidade no país estejam acompanhando uma tendência de redução, o número de adolescentes grávidas ainda é alarmante, na qual verifica-se que de cada cinco partos, uma das mães tem de 15 a 19 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse fato se dá por inúmeras razões, sobretudo a falta de orientação no início da vida sexual. Tal situação evidencia a forma como os relacionamentos têm se tornado vazios e frágeis, ilustrando a ideia de “amores líquidos” de Zygmunt Bauman, em que, analogamente, os jovens frequentemente buscam suprir sua carência afetiva em relacionamentos precoces que, por consequência, quase sempre levam à uma gravidez indesejada na adolescência pela falta de uma educação sexual eficiente.

Ademais, o desenvolvimento psicossocial da jovem que enfrenta a maternidade precocemente é afetado. Por conseguinte, a vida escolar e a atuação futura no mercado de trabalho da mãe podem ser prejudicadas por uma gravidez não planejada, levando a um agravamento das desigualdades sociais e consequentemente à manutenção de um ciclo de miséria. Analogamente, a partir da frase do economista Roberto Campos, a qual dizia: “Tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”, é notório que o país ainda falha em promover a igualdade para essas jovens que enfrentaram a maternidade ainda cedo.

Convém, portanto, enfrentar essa situação. Cabe, inicialmente, ao Governo Federal, sobretudo ao Ministério da Saúde, reforçar as campanhas preventivas, a partir da ampliação do atendimento médico, a fim de alcançar regiões mais afastadas onde a informação chega de forma ineficiente, investindo mais verbas e atenção à prevenção da gravidez na adolescência. Além disso, cabe ao Ministério da Educação ampliar o número de creches como alternativa para as mães darem continuidade aos estudos enquanto seus filhos têm cuidado integral e reduzir a evasão escolar desse público jovem. Espera-se, com isso, que o cenário atual possa ser combatido.