Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/06/2019
“Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”, o enredo da obra " Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, retrata uma sociedade alheia aos diversos problemas sociais o que faz com que a reparação da problemática seja uma utopia. De maneira análoga, o livro pode ser contextualizado hodiernamente, uma vez que a gravidez na adolescência tem sido um impasse evidente no Brasil. Nesses termos, é imprescindível analisar essa mazela, seja por um contexto histórico, seja por uma análise econômica.
Decerto, as instituições sociais contribuem para que a gravidez precoce continue a ocorrer devido à perpetuação de tabus. Esse fato acontece porque as famílias e as escolas, principais formadoras de comportamento de crianças e de adolescentes, ainda são alicerçadas em princípios do patriarcado, pois não discutem sobre educação sexual. Nesse contexto, o conhecimento adquirido, muitas vezes por mídias, é superficial, porque não expõe a importância de métodos contraceptivos. Em decorrência disso, e somado à fragilidade emocional que envolve as jovens mães, o número de abortos clandestinos aumentou 85% entre 1990 e 2010, de acordo com o Ministério da Saúde, de modo a colocar vidas em risco. Nessa óptica, pensar na evolução da população diante dessa permanente desordem estrutural é demonstrar ingenuidade.
Outrossim, compreende-se que a falta de planejamento familiar na adolescência fica ainda mais danosa quando se explicitam as sequelas advindas de uma falha governamental. Exemplo disso é que o grupo mais vulnerável à gravidez na juventude são mulheres com histórico de evasão escolar e condição de baixa renda. Isso pode ser explicado pela teoria da Tábula Rasa, do filósofo Jonh Look, já que meninas crescem com discursos estereotipados como de que o papel da mulher no corpo social é ser mãe. Logo, é preciso reparar no problema dissertado para que a coletividade não permaneça inerte, como a população do livro citado, com a finalidade de alcançar uma intervenção imediata.
Portanto, para objetivar “Ordem e Progresso” - lema nacional- é preciso minimizar, quiçá erradicar, os tabus e os estereótipos que intensificam a gravidez na adolescência. Com isso, é urgente que estudantes universitários de medicina e de psicologia promovam projetos como Juventude Consciente em escolas públicas de ensino médio com o propósito de informar sobre medidas preventivas nas relações sexuais, pois com conhecimento e ajuda de profissionais os jovens tendem as ter atitudes mais responsáveis. Essa empreitada social deve acontecer por intermédio de atividades lúdicas, a exemplo palestras e rodas de conversa interativas, com o intuito de promover o envolvimento dos adolescentes