Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 17/06/2019

Biologicamente, a gravidez pode ser definida como o período que vai da concepção ao nascimento de um indivíduo. Denomina-se gravidez na adolescência a gestação que ocorre entre os 10 a 20 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Decerto, essa mazela social é presente no Brasil, uma vez que o país apresenta a taxa de fecundidade adolescente acima da média mundial. Desse modo, deve-se analisar a desinformação acerca da educação sexual junto às condições de vulnerabilidade social de diversos jovens brasileiros.

Indubitavelmente, a desinformação acerca da educação sexual é o principal fator da gravidez precoce, visto que deriva de uma crença equivocada das escolas, junto às famílias, de que instruir os adolescentes sobre prevenção pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos. Conforme Pierre Bordieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Certamente, a atuação do cristianismo na colonização impôs a exaltação da pureza sexual, sendo assim, a comunidade brasileira incorporou essa imposição e naturalizou um enorme tabu quanto ao assunto. Isso é notório, à medida que 625.750 garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo, segundo o site Acidadeon.

Outrossim, a partir da frase do economista Roberto Campos, à qual dizia “Tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”, analisa-se que o Brasil, uma das dez maiores economias mundiais, falha, ironicamente, na promoção da igualdade, pois, apesar de ser uma nação rica, é notório o índice de marginalizados. Por conseguinte, tal negligência resulta em jovens vulneráveis e sem a menor perspectiva em relação ao mercado de trabalho. Para exemplificar, cerca de 83% das adolescentes que são mães precocemente não estudam e nem trabalham, consoante o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio em 2013.

Em suma, para que se diminua os casos de gravidez na adolescência, é preciso que o Ministério da Educação, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, crie um projeto de prevenção à gravidez, no qual consistirá a adição da matéria sobre educação sexual na grade curricular, além de um fórum virtual para que a família, junto aos alunos, tenho o direito de opinar e propor ideias para tais aulas, com o intuito de envolver a comunidade no combate à problemática. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento intensifique os programas sociais como Bolsa Família, Bolsa Verde, entre outros, a fim de promover a inserção social dos brasileiros marginalizados, para que tais pessoas ampliem suas oportunidades sociais, como educação e trabalho.