Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/06/2019

Na série americana “Glee”, a adolescente Quinn Fabray engravida ainda no colegial, no entanto, sem o apoio dos pais é expulsa de casa e entrega o bebê para a adoção. Não distante da ficção, a gravidez na juventude é um problema social, tendo em vista que afeta todas as esferas da sociedade e muda a realidade dos jovens. Dessa forma, a depressão pós-parto, em consonância com a evasão escolar, são entraves derivados da gravidez na adolescência.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função do despreparo juvenil em lidar com a gravidez precoce, as adolescentes desenvolvem um quadro de instabilidade emocional, além da rejeição à criança, culminando na depressão pós-parto. De acordo com a tese da tábula rasa de John Locke, a mente humana é como uma folha de papel em branco, com isso, só a partir da experiência que os indivíduos recebem conhecimento. Assim, a inexperiência dos jovens contribui para o abalo emocional desses, já que se encontram desorientados quanto o caminho a ser seguindo, e em alguns casos, por não possuírem o apoio familiar semelhante a “Glee”, se desesperam e passam a agir por impulso, em razão do surgimento de distúrbios mentais.

Por conseguinte, percebe-se o abandono escolar como impasse da gravidez na juventude, tendo na maioria das vezes os jovens de baixa renda como protagonistas da problemática, que deixam a escola para trabalhar ou cuidar da criança. Segundo o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico, no qual todas as partes desempenham uma função para a manutenção do meio. Em suma, a evasão escolar provoca uma deficiência no corpo social, isso porque, os adolescentes que deveriam estar na escola a abandonam para trabalhar, e, a destarte, por não possuírem o conhecimento exigido para ocupar uma boa vaga de emprego, são segregados socialmente e passam a recorrer ao trabalho braçal.

Infere-se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar esse quadro. Logo, urge que o Ministério da Saúde em parceria com o MEC crie, por meio de verbas governamentais, programas de assistência para a gravidez na adolescência, com psicólogos disponíveis para auxiliar nas escolas tanto as meninas, como os meninos, amparando esses jovens quanto ao concílio das responsabilidades de se cuidar de uma criança sem negligenciar os estudos, e, ademais, não desencadearem transtornos mentais. Espera-se, com isso, que a gravidez na adolescência tenha menos impacto negativo na sociedade, de tal maneira que os jovens recebam o apoio necessário para que não abandonem a escola e estejam seguros mentalmente. Somente assim, será possível ajuda-los a não passar pelo mesmo que Quinn Fabray passou em “Glee”.