Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 11/07/2019

No filme Simplesmente Acontece, a personagem Rosie é uma adolescente de 17 anos que interrompe seus planos de ir à faculdade por causa de uma gravidez precoce e indesejada. Fora da ficção, a gestação na puberdade é um fato social patológico que persiste na sociedade canarina, seja pela omissão escolar no que se refere a educação sexual, seja pelo bombardeio midiático que influência o comportamento dos pubescentes. Logo, é necessário enfrentar essa problemática.

Primeiramente, a escola tem o papel fundamental de socializar o conhecimento uma vez que contribui para formação moral dos alunos. Nesse contexto, para o sociólogo Émile Durkheim, a prenhez na puberdade é um fato social anômico já que segue na contramão das regras comuns socialmente impostas, penalizando as jovens mães com preconceito, insegurança e impossibilidade de prosseguir com seus projetos de vida em razão das responsabilidades aplicadas a neorrealidade. Assim, as instituições de ensino atuam de maneira lacunar ao não trazer a discussão do tema educação sexual nas aulas de sociologia - essencial na prevenção da gravidez na adolescência - por conta da sexualidade ser tratada como um tabu - assunto que gera vergonha e demonstra muitas vezes a fragilidade dos responsáveis por transmitir a informação. Assim, compromete-se a redução da incidência da prenhez imatura entre as jovens.

Outrossim, a mídia exerce grande influência negativa sobre o comportamento do público adolescente ao retratar a gestação entre púberes de maneira romantizada, dissonante da dura realidade enfrentada pelas mães juvenis, principalmente a grande maioria que se encontra em situação de pobreza extrema. Já dizia o dramaturgo Oscar Wilde: “A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Nesse ínterim, as novelas e séries ao devanear as histórias e personagens, deturpam a visão dos pubescentes que passam a interiorizar arquétipos idealizados construídos normalizando comportamentos inconsequentes. Assim, a escola mais uma vez tem papel fulcral na formação psico-cognitiva dos adolescentes para que filtrem as ideologias veiculadas pela mídia.

É mister, portanto, levar a educação sexual para as salas de aula a fim de produzir indivíduos conscientes, críticos e capazes de adotar medidas preventivas para evitar a gravidez nesse período tão caro ao desenvolvimento humano. Destarte, cabe ao MEC - Ministério da Educação - incluir a disciplina de educação sexual na base nacional curricular, capacitando os educadores a debater as consequências de ações prematuras na manifestação da sexualidade por meio de fóruns, palestras que aproximem os alunos de uma visão humanística e desprovida de idealizações, mitigando assim a ocorrência da gestação na adolescência, produto da descultura midiática.