Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/07/2019

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adolescência compreende uma fase do desenvolvimento psicossocial que se estende dos 10-19 anos, sendo marcada por alterações a níveis físicos, sociais e mentais. Dessa maneira, a atual conjuntura brasileira - exposta pela “Folha de S. Paulo” -, em que 1 a cada 5 crianças nascidas no Brasil é filha de mães adolescentes, se mostra preocupante, haja vista que uma gravidez nessa etapa prejudica o progresso juvenil. Desse modo, a incompetência de trabalhadores da pedagogia e a ausência de organização familiar favorecem a ocorrência de gestação na juventude, o que evidencia a necessidade de se discutir acerca do tema.

É importante pontuar, de início, que o despreparo de profissionais da educação fomenta os casos de gravidez precoce. Nesse sentido, as escolas, ao pautarem um debate totalitário acerca do sexo, inviabilizam aos alunos a aptidão ao gozo de habilidades necessárias à gestão da sexualidade. Em face disso, a discussão focada na prevenção tangencia as reais carências dos adolescentes, como falta de controle da libido, haja vista que, nessa fase do desenvolvimento - segundo o neurologista Freud -, o ser tende a agir pelo ID, que é marcado pelo hedonismo. Dessa forma, o filósofo John Locke, mediante a assertiva “o homem é uma tábula rasa e todo processo do conhecer, do saber e do agir é adquirido pela experiência”, reforça a necessidade dos colégios incentivar a educação sexual dos educandos.

Ainda, é importante pontuar que a falta de estruturação familiar eleva os casos de gravidez na adolescência. Nessa perspectiva, a família, ao demonstrar sinais de desunião, cria condições para que os filhos evitem o diálogo - sobretudo referente à sexualidade -, haja vista que, mediante a realidade opressora do lar, os filhos optam por uma conduta temerária, com receio de perder a liberdade. Além disso, fendas estruturais no ambiente doméstico, como a pobreza e a falta de perspectiva para o futuro, geram, segundo a tese da psicanalista Labaki, um inconsciente desejo por ter um filho, com a ilusão de perseguir a completude narcísica - decorrente do desamparo -.

Por tudo isso, faz-se necessário que haja uma mobilização da sociedade com vistas a diminuir os problemas relacionados ao tema. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover uma melhor capacitação de professores e pedagogos, por meio da criação de cursos sobre formas de se trabalhar a sexualidade em sala, como o estabelecimento de discussões, acerca de filmes afins, em grupo, a fim de aproximar o debate em classe com a verdadeira realidade de inseguranças dos alunos. Ademais, o Ministério das Comunicações deve estimular a família a prevenir a gravidez precoce de adolescentes, mediante a inserção de propagandas sobre libertinagem, em canais abertos de TV, com o intuito de criar situações que permitam aos pais introduzir um diálogo saudável sobre o tema.