Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/06/2019

De acordo com Kant e Lamarck, a educação e o meio, respectivamente, são fatores determinantes na formação humana. Nessa linha, tais ferramentas deveriam constituir uma base sólida para a temática da sexualidade, uma vez que preparar o indivíduo soa como substancial na construção de uma juventude mais consciente. Entretanto, os atuais altos índices de gravidez na adolescência demonstram que o Brasil caminha na contramão de iniciativas eficazes, em função de demandas nos âmbitos governamental  e educacional no cenário hodierno.

Em primeiro lugar, essa condição se deve à falha nas políticas públicas.Para Adriana Alvarenga, Coordenadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a falta de investimento histórico na redução das desigualdades é fator que sustenta essa realidade. Isso porque, segundo ela, as jovens brancas e de melhores condições sociais têm mais acesso à informação sobre uso de anticoncepcionais e à ginecologia.Esse fato se valida em uma pesquisa do Ministério da Saúde em 2017, a qual delatou que a maioria das jovens de até 14 anos, nos bairros mais carentes, não sabiam que poderiam engravidar durante o primeiro ato sexual.De fato, esse item deve ser tratado com maior seriedade, visto que as lacunas na assistência influenciam diretamente no aspeto social da juventude.

Ademais, outro atenuante se dá por meio do sistema educacional. No ambiente familiar, muitos jovens não conversam ou se sentem tímidos em falar sobre o assunto porque não é dado a eles abertura e oportunidade para iniciá-lo. Consequentemente, a escola deve servir como meio de transformação social, como alertado pelo filósofo Paulo Freire, uma vez que a consciência crítica é desenvolvida no ensino básico. Nessa perspectiva, os professores devem trabalhar essa questão com naturalidade, fazendo o aluno refletir. Assim, com mais informações e sendo devidamente instruídos sobre o tema, é possível fazer escolhas mais responsáveis no tocante à preservação.

Infere-se, portanto, que a prevenção da gravidez na adolescência não é efetiva no Brasil. Para reverter essa conjuntura, o Estado deve, por meio dos Ministério da Educação e da Saúde, promover o acesso à informação e assistência adequada - oferecendo aos professores elementos para mudar as práticas de ensino ( oficinas, debates e palestras) e capacitando os profissionais da área da saúde, em especial nas regiões mais carentes - com a finalidade de fomentar maior percepção sobre o tema. Além disso, os pais devem conquistar a confiança dos filhos, através do diálogo, para que possam se abrir mutualmente sobre suas dúvidas em relação ao sexo e como prevenir a gravidez na adolescência.