Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/06/2019

No famoso filme “Juno”, uma garota adolescente descobre que esperando um filho do melhor amigo e, a partir daí, tenta aprender a lidar com a questão da maternidade durante uma fase da descoberta de sua identidade. Fora das telas, a problemática da gravidez na adolescência é um assunto complexo e frequente na sociedade, que deve ser analisado com as causas e também implicações na vida das moças.

Em primeiro lugar, é necessário considerar o contexto em que as adolescentes estão inseridas. Em vista disso, meninas socioeconomicamente carentes possuem um acesso mais difícil às questões de saúde pública e pouco acompanhamento regular ao ginecologista, uma vez que o sistema de saúde público é precário e o processo de marca consultas é demorado e burocrático. Muitas vezes, tais jovens não possuem pessoas que possam lhes orientar sobre educação sexual, visto que ainda é um tabu social dentro, sobretudo, da própria família. Nesse sentido, pais e mães evitam orientar e esclarecer as dúvidas sobre educação sexual dos seus filhos, o que acarreta um afastamento dos adolescentes e dos pais quanto ao que concerne à questão da prevenção sexual e outros assuntos relacionados.

Com isso, as meninas, ao engravidarem precocemente, passam a lidar com as responsabilidades da maternidade, além das implicações sociais, biológicas e psicológicas. Segundo dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, 500 mil meninas entre 10 e 19 anos têm filhos no Brasil todos os anos. Tal realidade leva muitas delas a abandonarem os estudos para cuidar dos bebês, além de deixarem de ter perspectivas para o futuro. Ademais, também há implicações biológicas, como, por exemplo, a exposição a grandes riscos durante a gravidez, inclusive com maior incidência de aborto natural ou nascimento prematuro do bebê.

Em suma, é necessário reconhecer o problema e analisá-lo com todo o panorama social por trás a fim de criar soluções cabíveis. Uma solução, sem dúvidas, é a educação sexual que deve ser levada às escolas e debatidas amplamente entre os jovens intermediados por professores em parceria com o Ministério da Saúde, com profissionais da saúde preventiva a atuar no campo da prevenção e esclarecimento de dúvidas. Desse modo, por meio do contato direto dos profissionais da saúde, com diálogo e acompanhamento ginecológico efetivo das jovens, será possível, enfim, diminuir o número de casos de gravidez precoce e, consequentemente, a evasão escolar. Pois, como diria Immanuel Kant,“O ser humano é aquilo que a educação faz dele”.