Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/07/2019
“Toda menina quando enjoa da boneca é sinal de que o amor já chegou no coração”. Esse verso faz parte de uma melodia do renomado Luiz Gonzaga e contorna a vivência amorosa das garotas, bem como a sua infantilidade deixada de lado. Nesse sentido, é evidente que, no Brasil, cada vez mais cedo, a boneca é trocada por relações amorosas, o que pode ser analisado no histórico desafio de se evitar a gravidez precoce, quadro agravante e determinante na construção social do país. Assim, é imprescindível atuar na dissolução dessa problemática, seja por meio da quebra de ideologias retrógradas, seja mediante educação sexual nas escolas.
A princípio, Gilberto Freyre, em seu livro “Casa-Grande e Senzala”, revela um ambiente marcado por intoxicação sexual, no qual o autor ressalta ser a casa-grande o palco de um cenário onde misturas étnicas e sexuais se darão por meio do senhor e de suas relações com indígenas e negras. Sob esse viés, é clarividente que o Brasil atual reflete, ainda, resquícios do patriarcalismo decorrente daquele período, visto que, quanto à educação sexual, ideologias retrógradas permanecem e a mulher é colocada em segundo plano, bem como as suas condições físicas e psicológicas. Dessa forma, a gravidez precoce decorre de uma posição banalizada da sociedade devido a uma possível quebra de valores tradicionais –tal falto contribui na persistência do corpo feminino sendo vítima nessa casa-grande. Ademais, a gravidez precoce é uma consequência da forma com que a educação sexual nas escolas é tratada. A respeito disso, em sua obra “A ordem do discurso”, o filósofo francês Michel Foucault discorre sobre um conjunto de saberes legítimos que são perpassados pelas instituições. No entanto, segundo o filósofo, há discursos que são excluídos por uma camada de disciplinas sociais. Acerca disso, a educação sexual nas escolas é notada como uma barreira à moralidade e à inocência dos jovens do país, como analisado na proposta de Foucault, onde ela “instigará” o adolescente a ser imoral. Entretanto, é notório que a informatividade levada por esse ambiente é crucial ao rompimento da conjuntura atual, onde a mídia cria comportamentos irrefreáveis quanto ao sexo. Em suma, é mister solucionar o histórico desafio de se evitar a gravidez precoce no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Educação a ampliação da discussão relacionada a esse quadro persistente, por meio de aulas de educação sexual aos alunos –tais aulas devem ser lecionadas diante a criação, na grade escolar, de uma disciplina transversal que irá propor debates, gincanas e palestras com educadores capacitados-, a fim de que se proporcione informatividade e possa acabar, gradativamente, com os casos de gravidez precoce. Além disso, compete ao Estado criar meios midiáticos que retratem acerca do histórico desafio e da ajuda necessária da família brasileira na sua dissolução, haja vista que assim a “barriga’’ não irá tirar a boneca dos braços da menina.