Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/06/2019

O filme americano Juno retrata a história de uma adolescente que após engravidar de seu melhor amigo em sua primeira relação sexual cogita as possibilidades de não ter ou não criar o filho, dentre elas o aborto e a adoção, pois não tem condições de enfrentar a maternidade. No entanto, apesar de ser uma ficção, esse assunto é a realidade de muitos jovens no Brasil, visto que a gravidez na adolescência não é amplamente evidenciada pela população, gerando consequências negativas para esse grupo. Dessa forma, mudanças são necessárias a fim de melhorar esse cenário preocupante.

De início, vale ressaltar que grande parte da população jovem não chega nem a receber informações básicas sobre o uso de contraceptivos. De acordo com o jornal O Globo, cerca de 40% das adolescentes não conversam sobre sexo com os pais, buscando informações na internet ou com amigos. Isso deve-se ao fato de que conversar sobre relações sexuais e suas consequências com os jovens é muitas vezes um tabu para os pais, seja por vergonha de ambos os lados ou por medo de incentivar a prática, além da pouca abordagem sobre o tema nas escolas. Logo, nota-se que a falta de uma informação segura muitas vezes é a causa da gravidez precoce.

Ademais, é importante salientar que a gravidez na adolescência prejudica a saúde da mãe, podendo levar a casos de morte. A gravidez precoce gera o aumento do número de abortos clandestinos, visto que essa prática é crime no Brasil, às vezes realizados pela própria pessoa, além do fato de o corpo adolescente não estar preparado biologicamente para uma gestação, pois ainda encontra-se em formação. Tais problemas aumentam a mortalidade materna, que segundo o site ONU Brasil, é uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 24 anos na região das Américas.

Portanto, mudanças são indispensáveis a fim de modificar o cenário da gravidez entre jovens no Brasil. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além do que a educação faz dele, logo, é preciso que o Ministério da Educação implemente nas escolas aulas de educação sexual para adolescentes entre os 13 e os 18 anos, por meio de atividades coletivas que envolvam apresentação de pesquisas realizadas pelos próprios alunos, para que esses fiquem mais cientes das causas e das consequências da gravidez em sua faixa etária, além do diálogo constante entre pais e filhos, para que ambos se informem do assunto e se sintam mais seguros ao abordá-lo quando precisar. Assim, Juno não será mais uma representação da realidade de muitos jovens brasileiros.