Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/06/2019

No drama “Preciosa” de 2009, a personagem Clareece comprova que há 29 anos os Estados Unidos já discutiam o tão perigoso caso da gravidez na adolescência. Violentada pelo pai e negligenciada pela mãe, a menina de 16 anos, com um filho, retrata a realidade comum na vida de muitas jovens. No Brasil, a situação não é diferente, porém, pouco se discute sobre o caso, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país.

Primordialmente, verifica-se que, a falta de políticas públicas é um dos principais fatores entre as causas do problema. De acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), nascem cerca de 14 milhões de crianças de mães adolescentes ao ano em todo mundo. De maneira análoga, é possível perceber que, embora exista campanhas midiáticas e programas do governo que incentivem o uso de preservativos e até disponibilizem os mesmos, tais métodos não orientam os jovens através de uma educação sexual que possibilite a construção e internalização do conhecimento sobre o assunto, mostrando outras perspectivas. Como já dito pelo filósofo Aristóteles, todos os homens tem, por natureza, o desejo de conhecer. Dessa forma, com o advento da tecnologia a juventude busca conhecimento de forma superficial e são incentivadas a iniciarem suas vidas sexuais cada vez mais cedo, seja por meio de filmes, músicas que fazem apologia ao sexo ou até mesmo conteúdos eróticos

Outrossim, destaca-se que, a gravidez na adolescência é um dos obstáculos no desenvolvimento psicossocial das adolescentes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gravidez na adolescência representa riscos não só a saúde da mãe, como também na de seu filho. Tendo em vista que, tal quadro gera uma série de conflitos pessoais, seja de ordem financeira, seja emocional, aumentando, assim, a taxa de abandono de recém-nascidos e de abortos clandestinos e colocando em risco muitas vidas. É nítido que se trata de um problema de saúde pública.

Portanto, torna-se evidente que ainda há entraves para garantir a solidificação de um mundo melhor. Destarte, o Governo em parceria com a mídia deve criar políticas públicas que cheguem até os jovens, principalmente por meio de redes sociais (onde encontra-se o maior público), promovendo maior conhecimento e orientando-os em suas vidas sexuais. Conforme o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate a gravidez na adolescência. Assim será possível evitar que, no Brasil, 29 anos depois, tenhamos figuras como a de Preciosa, que precisava dos sonhos para escapar de todo pesadelo que sua vida costumava ser.