Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/06/2019
O filme " Os garotos da minha vida" retrata a história de uma adolescente de 15 anos que sonhava em ter um futuro próspero como escritora, no entanto, os seus planos foram interrompidos devido à uma gravidez precoce. Sob essa ótica, menciona-se que mais uma vez a vida imita a arte, tendo em vista que fora da ficção essa é a realidade de diversas garotas que se vêem incapaz de realizarem os seus sonhos por terem engravidado muito jovens. Nesse viés, não há dúvidas de que a gravidez na adolescência é um desafio enfrentado pelo âmbito social, estando evidenciada no Brasil, o qual ocorre devido à falta de assistência nas relações familiares, além de estar relacionado à negligência sexual.
De fato, a comunidade familiar está carenciando a assistência referente à educação moral de seus membros. Desse modo, com o advento da Revolução Industrial, as modificações sociais trouxeram um modelo de família terceirizada, ou seja, as relações estabelecidas entre os seus membros foram distribuídas e transferidas para outros indivíduos, virtuais ou reais, terceirizando a educação dos filhos, fato que causa um desequilíbrio na transmissão dos valores morais, destacando o tocante ao ensino sexual. Nesse contexto, essa terceirização pode estar presente nos meios tecnológicos, ambiente o qual possui uma série de recursos capazes de ensinar tudo aquilo que a família não ensinou, induzindo os adolescentes à praticarem o que estão aprendendo virtualmente, principalmente no setor da pornografia, estimulando-os a terem uma vida sexual ativa, sem se preocupar com os riscos que ela pode oferecer.
Além disso, salienta-se que a educação sexual brasileira está sendo negligenciada, visto que, conforme afirma a Organização Mundial de Saúde, o Brasil está entre os países que possuem a maior taxa de gravidez na adolescência, contabilizado 68,4% dos casos brasileiros. Dessa maneira, a influência histórica da Igreja durante a Idade Média, onde o sexo era visto como um pecado carnal, perpetuou por séculos estando presente na contemporaneidade, visto que o assunto ainda é tratado como tabu, tornando vergonhoso o diálogo acerca de suas formas de prevenção. Assim, essa rotulação sexual faz com o que o assunto seja pouco debatido, contribuindo ainda mais para o aumento dos casos de gravidez precoce.
Portanto, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, realizar, por meio de políticas públicas, campanhas que disponibilizem gratuitamente os métodos contraceptivos, em especial a camisinha, nos hospitais e nos postos de saúde, objetivando prevenir a gravidez precoce, além de promover o atendimento de jovens que já estão grávidas, objetivando acompanhá-las por meio da realização de todos os procedimentos necessários para uma gestação saudável.