Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/07/2019

No livro “Cem anos de solidão”, do escritor Gabriel García Márquez, é retratada a personagem Remédios, que se casa com Aureliano ainda muito jovem, poucos momentos após a primeira menstruação. Remédios logo morre após o casamento, devido a uma gravidez de risco. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Garcia Márquez pode ser relacionada ao cenário brasileiro, segundo o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada, IPEA, uma em cada cinco crianças possui mãe com idade entre 10 e 19 anos, o que demonstra quão altas são as taxas de adolescentes que, assim como Remédios, engravidaram durante a adolescência.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, a gravidez na adolescência é predominantemente em populações de baixa renda e menor escolaridade, é o que revela dados do IBGE. Esses dados estão relacionadas a baixa perspectiva dessas jovens em relação a escolaridade e à futura inserção no mercado de trabalho. Com isso, o papel que lhes sobra é o de mãe, consequentemente, não conseguem dar seguimento aos estudos, tampouco melhorar as condições de vida da família. É fato que a desinformação acerca da educação sexual é um dos principais fatores da gravidez precoce, visto que deriva de uma crença equivocada das escolas junto às famílias de que instruir os adolescentes sobre prevenção sexual pode encorajá-los a se tornar sexualmente ativos.

Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Certamente, a atuação do cristianismo na colonização impôs a exaltação da pureza sexual, sendo assim, a comunidade brasileira incorporou essa imposição e infelizmente naturalizou um enorme tabu quando o assunto é sexo. Sendo o homem fruto da educação, como o princípio Kantiano afirma, o não investimento em instrução sexual só pode resultar no constante aumento do número de adolescentes grávidas.

Torna-se evidente, portanto, que é por meio da educação que a gravidez precoce será combatida, por isso, cabe ao MEC a promoção de palestras com especialistas em sexualidade juvenil em escolas, e de debates que incluem e instruem a família sobre a importância da responsabilidade sexual, para que assim os conhecimentos necessários para um possível início da vida sexual sejam ofertadas aos jovens e o tabu social sobre sexualidade possa ser quebrado. Além disso, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas de de divulgação dos métodos anticonceptivos que são ofertados nas redes públicas de saúde e, também, abrir um canal, por meio da internet, que informe aos jovens sobre a prevenção de DSTs e sobre o uso correto de camisinha e anticoncepcionais, para que qualquer dúvida relacionada à vida sexual possa ser sanada e os adolescentes estejam conscientizados e aptos para essa fase.