Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/06/2019

Na série norte-americana “Gilmore Girls - Tal mãe, tal filha”, Lorelai Gilmore, personagem principal e membra de uma rica e conservadora família estadunidense, é afastada da sua vida acadêmica, econômica e social aos dezesseis anos, graças a uma gravidez indesejada. Apesar de ser uma ficção, a história aborda uma problemática extremamente presente no Brasil contemporâneo: a gravidez na adolescência. Apesar do avanço da tecnologia, que facilitou o acesso à informação, milhares de jovens brasileiras ainda sofrem com traumas irreversíveis por conta dos obstáculos criados pela experiência precoce, prejudicando seu desenvolvimento psicossocial, graças à omissão do poder público.

Sabe-se que a gravidez precoce não é uma invenção do século XXI; desde a Idade Média, as garotas ainda muito novas, eram incentivadas a engravidar e criar uma família, para a manutenção do status social e o fortalecimento do patriarcado. A infeliz, retrógrada e machista cultura supracitada, criou raízes e se faz presente até a atualidade em todo o globo terrestre. Dessa forma, criou-se um “tabu” acerca da sexualidade feminina, gerando uma crise que está, inegavelmente, em evidência. Segundo o Portal G1, a cada 1000 meninas brasileiras, com idades entre quinze e dezenove anos, 68 engravidam. Esse dado alarmante concretiza a tese de que a falta de informação está criando mais uma geração de mulheres traumatizadas física e mentalmente, e em muitos casos, instáveis financeiramente.

Tem-se conhecimento que a constituição cidadão de 1988 garante pleno acesso à educação e saúde de qualidade em todo território nacional. Em contraste, o governo age com imensurável descaso, ao deixar de lado uma das questões educacionais e de saúde pública mais preocupantes da hodiernidade: a gravidez entre menores de vinte anos. As jovens, que normalmente ainda estão inseridas na esfera acadêmica, sofrem não só com as dores físicas de um corpo que ainda não está preparado para tal evento, mas também com a brutalidade social que provoca traumas psicológicos irreversíveis, além, claro, do afastamento das esferas social, acadêmica, cultural e econômica. Segundo o educador Paulo Freire “Ninguém caminha sem aprender a caminhar, sem aprender a fazer o caminho caminhando”, sob esse viés pode-se afirmar que a única maneira  de reverter esse quadro, é a informação e a empatia.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Os Ministérios da Educação e da Saúde, juntos, devem criar uma campanha de conscientização nas escolas públicas do país, com objetivo de mostrar as consequência de uma gravidez precoce e sem planejamento. É imprescindível que a mesma conte com a presença de Psicólogos, médicos e educadores sexuais, além da distribuição gratuita de livros didáticos com linguagem clara e métodos contraceptivos eficientes, com propósito de obter uma geração informada, segura, saudável e estável financeira, mental e fisicamente.