Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 05/07/2019
Platão, em sua obra “A República”, idealiza uma cidade fraterna e harmônica. Contudo, atualmente, essa sociedade dificilmente será alcançada devido aos problemas vigentes, como os casos de gravidez na adolescência no Brasil hodierno. Nesse contexto, nota-se que a negligência governamental acerca do assunto e o “tabu” ao se falar de sexo com os jovens afastam os brasileiros de tal idealização platônica.
Em primeira análise, é sabido que, de acordo com o artigo quinto da Constituição Federal, de 1988, é obrigação do Estado promover o direito à educação de qualidade e à saúde. No entanto, esse dever nem sempre é acatado, visto os casos de grávidas adolescentes no país. Nesse viés, quando as escolas - sobretudo as da rede pública - abordam de forma superficial os métodos contraceptivos, juntamente com um sistema único de saúde que não oferece métodos de se previnir, além do preservativo e da pílula hormonal, depreende-se que obstáculos são ocasionados. Por exemplo, o número de púberes grávidas em situação de vulnerabilidade socioeconômica que tende à aumentar, pois existem mulheres que não podem tomar anticoncepcionais por causa dos hormônios e que têm alergia à “camisinha”, fazendo com que moças que tenham acesso aos planos de saúde, que, geralmente, cobrem a colocação do DIU engravidem menos, culminando em um círculo vicioso.
Em segunda análise, é notório que, segundo Durkheim, o fato social é geral, exterior e coercitivo, ou seja, o corpo social influencia nas atitudes dos jovens que se tornam produto do meio. Dessarte, até as músicas podem influenciar na formação do pensamento, por exemplo o funk que aborda letras com alto teor sexual, fazendo com que os jovens reproduzam tal comportamento. Por conseguinte, se os pais não conversam abertamente com os seus filhos por um simples “tabu”, as chances de gravidez indesejada podem aumentar, tendo em conta que tais jovens não tiveram uma educação sexual adequada.
Impende, portanto, que a gravidez na adolescência deixe de ser realidade. Por isso, o Ministério da Saúde deve promover multirões, em praças públicas, por meio de “ônibus da saúde”, gratuitamente, para exames uterinos e para a colocação do DIU em púberes que optem por esse método contraceptivo, com o intuito de aumentar as formas de prevenção. Ademais, o Ministério da Educação deve impulsionar palestras socioeducativas, ministradas por sexólogos, em escolas, para pais de adolescentes, a fim de explicar sobre a importância da educação sexual. Dessa forma, objetiva-se diminuir o número de grávidas jovens e, futuramente, alcançar o ideal de Platão.