Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/07/2019

Biologicamente, a gravidez pode ser definida como o período que vai da concepção ao nascimento de um indivíduo. Denomina-se gravidez na adolescência a gestação que ocorre entre os 10 a 20 anos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Decerto, essa mazela social é presente no Brasil, uma vez que o país apresenta a taxa de fecundidade adolescente acima da média mundial. Desse modo, deve-se analisar a desinformação acerca da educação sexual junto às condições de vulnerabilidade social de diversos jovens brasileiros.

Indubitavelmente, a desinformação acerca da educação sexual é o principal fator da gravidez precoce, visto que deriva de uma crença equivocada das escolas, junto às famílias, de que instruir os adolescentes sobre prevenção sexual pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos. Segundo Pierre Bourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Certamente, a atuação do cristianismo na colonização impôs a exaltação da pureza sexual, sendo assim, a comunidade brasileira incorporou essa imposição e infelizmente naturalizou um enorme tabu quando o assunto é sexo. Isso é notório, à medida que 625.750 de garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo, segundo o site Acidadeon.

Outrossim, a partir da frase do Economista Roberto Campos, a qual dizia “Tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”, analisa-se que o Brasil, que está entre as dez maiores economias do mundo, falha em promover igualdade, pois, apesar de ser um país rico, é notório o número de pessoas marginalizadas. Por conseguinte, tal negligência resulta em jovens vulneráveis, na medida em que eles não têm acesso a uma educação de qualidade, o que impossibilita uma perspectiva em relação ao mercado de trabalho. Para exemplificar, no Brasil, cerca de 83% das adolescentes que são mães precocemente não estudam e nem trabalham, conforme o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em 2013.

Infere-se, portanto, que essa problemática é uma grande pedra a ser removida do caminho da sociedade brasileira. Nesse sentido, recai sobre o Estado, juntamente com o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde com parcerias público-privadas a promoverem ações multidiciplinares, como campanhas de concientização, adotar na grade escolar o estudo da educação sexual, debates, palestras e criar um “D”, para que haja interação com a comunidade externa. O objetivo seria através dessas ações, amenizar os casos de gravidez na adolecência e alertar a população sobre o problema. O trabalho teria apoio logistico do Governo Federal e técnicos de Estados e Munícipios.