Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/07/2019
Desde o fenômeno da Revolução Francesa, entende-se que a força da mudança advém da capacidade de um se mobilizar com o problema do outro. No entanto, quando observamos o problema da gravidez na adolescência no Brasil, verifica-se que essa força é constatada na teoria e não, como desejado, na prática, seja pela falha do Estado em não fornecer, de forma eficaz, o que é previsto constitucionalmente como saúde, educação e segurança, seja pela forma como a sociedade fracassa na base da educação, a familiar. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tais atitudes para a sociedade.
Em primeira análise, é importante destacar a função do Estado nessa problemática. John Locke, em sua teoria do contrato social, propôs que o homem abdicaria de sua liberdade em prol do Estado e esse, em troca, lhe garantiria o básico para sua sobrevivência. Em análise a isso, percebe-se que o Estado falha em cumprir seu papel, porque conforme divulgado pela OMS, o Brasil pouco melhorou no que tange a gravidez na adolescência, pois no período de 2010 a 2015, o país teve uma redução de somente 2,5% na taxa de nascimentos entre adolescentes, enquanto a Bolívia, país vizinho, a redução foi de 9,3%, no mesmo período.
Ademais, é necessário salientar a participação da sociedade nesse conjunto problemático. O filósofo Immanuel Kant, em uma breve análise, teceu o argumento de que o homem é produto de sua educação, e portanto, o que lhe é passado na juventude repercute na vida adulta. Diante disso, fica evidente que a educação básica, aliada a educação familiar, trabalhadas em conjunto, fomentarão a diminuição dos índices de gravidez entre adolescentes. Inclusive, recentes dados divulgados no site da ONU, principalmente relacionados a natalidade entre jovens, mostram boas recomendações para trabalhar a redução de tais índices, como foco na educação de nível individual, familiar e comunitária.
Fica evidente, portanto, que o problema da gravidez na adolescência no Brasil é um problema conjuntural. O governo federal, em parceria com o Ministério da Educação e Planejamento, precisam agir em conjunto para criar um grupo estratégico com objetivo de analisar, mapear e propor soluções baseadas em dados técnicos com o propósito de diminuir de forma gradual e eficaz a taxa de gravidez entre adolescentes. A sociedade, com seu papel fiscalizador, possui papel fundamental para solução desse problema, pois pode cobrar de seus representantes no congresso correta execução de medidas que visem a diminuição dos índices da gravidez entre jovens, aliada a educação familiar que deve abordar temas de educação sexual com pais e filhos, com objetivo de tornar nossos jovens mais conscientes. Talvez, com tais propostas, possamos caminhar rumo a um futuro melhor.