Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 01/07/2019

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma gravidez é definida como precoce quando a gestante tem entre 10 e 19 anos. O Brasil apresenta altas taxas nesse indicativo, fator que torna a gestação na adolescência um problema tanto social quanto de saúde pública. Nesse contexto, a maior causa é a desigualdade e a consequência é a persistência do ciclo da pobreza.

Em primeira análise, é fundamental destacar o cunho social da adversidade. Segundo dados do IBGE, as maiores taxas de gravidez precoce se dão entre jovens pobres e com menos escolaridade, logo, é indubitável o impacto da classe social nesse quadro. A ausência de educação sexual e de acesso a métodos contraceptivos adequados, condição recorrente em áreas desfavorecidas economicamente, são os fatores que mantêm a conjuntura. Assim, evidencia-se a seriedade do recorte de classe na incidência dos casos de gestação adolescente.

Outrossim, o efeito da situação supracitada é a perpetuação da desigualdade social. Inquestionavelmente, uma gravidez precoce interrompe todos os planos e sonhos da adolescente, tendo em vista que, consoante uma pesquisa da Fundação Abrinq, uma das principais razões de evasão escolar é a gestação. Nesse sentido, a jovem, ao se afastar do meio acadêmico, acaba por suprimir qualquer chance de ascensão social, fomentando o ciclo da pobreza.

Destarte, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde aumentar a verba destinada para distribuição de métodos contraceptivos em hospitais públicos e, juntamente com as escolas, realizar campanhas e palestras informativas sobre educação sexual e prevenção de gravidez, a fim de democratizar esse conhecimento e conscientizar os jovens. Além disso, o Poder Executivo deve criar creches públicas e escolas com horários especiais, para que as jovens não tenham que abandonar seus estudos devido a gestação e possam ascender economicamente.