Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/07/2019
Ainda que, desde 2015, o número de gestantes entre 15 e 19 anos venha apresentando queda, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada mil adolescentes brasileiras, aproximadamente 68 ficam grávidas, configurando-se como o terceiro maior índice da América do Sul. Esses dados refletem a preservação de ideias e valores equivocados, que dificultam o acesso de jovens à educação sexual. Nesse sentido, deve haver um amadurecimento da sociedade civil acerca dos riscos oriundos de uma gestação precoce.
Em primeira instância, de acordo com o sociólogo contemporâneo Anthony Giddens, os padrões de comportamento sexual sofreram alterações com a modernidade, contestando modelos tradicionais. Entretanto, contrapondo-se a essas mudanças, a dinâmica social brasileira perpetua paradigmas morais que impedem, frequentemente, o contato de jovens e adolescentes com uma educação sexual eficaz. A carência de práticas de diálogo sobre aspectos cognitivos, físicos e emocionais da sexualidade impede a promoção de hábitos mais saudáveis, que estimulem o uso consciente de métodos contraceptivos, reduzindo os casos de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e os índices de gravidez precoce.
Outrossim, segundo informações disponibilizadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), a mortalidade materna é uma das principais causas de morte entre adolescentes na região das Américas, vitimando cerca de 1900 jovens em 2014. Isso porque, meninas entre 15 e 19 anos não apresentam condições físicas ideais para o desenvolvimento de uma gestação, aumentando a ocorrência de partos prematuros, abortos espontâneos e má formação fetal, por exemplo. Além disso, a futura mãe enfrenta transtornos psicossociais, decorrentes, geralmente, de uma gravidez não planejada, que compromete a vida escolar e a atuação futura no mercado de trabalho.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de propor medidas que objetivem reduzir os índices de gravidez entre adolescentes no Brasil. A fim de disponibilizar à população jovem um aporte maior de informações acerca de métodos contraceptivos modernos e possíveis riscos de uma gestação precoce, as Secretarias de Educação devem incentivar, nas escolas municipais do país, a implementação de um currículo para educação sexual, estimulando a realização de feiras culturais e palestras. Ademais, os hospitais públicos e postos de saúde, a partir de investimentos federais, devem garantir atendimento qualificado antes, durante e depois do parto às futuras mães, de forma a atenuar os casos de mortalidade materna entre meninas de 15 a 19 anos.