Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/07/2019
A gravidez para muitas mulheres, geralmente as que possuem nível educacional mais alto, pode ser uma opção planejada para o melhor momento de acordo com suas perspectivas de vida. No entanto, essa não é uma realidade observada para uma parcela feminina da população brasileira com menor escolaridade. Nesse sentido, é notório que a desigualdade social contribui com a gravidez na adolescência, visto que essa parcela da população mais vulnerável socialmente é prejudicada pela falta de informação e suporte adequado para a prevenção de uma gravidez precoce. Assim, é necessário analisar e discutir esse assunto para mudar esse cenário.
Primeiramente, vale ressaltar a desinformação dos jovens acerca dos riscos e uso adequado dos meios contraceptivos. Nesse contexto, é possível observar que a educação sexual ainda é um tabu na sociedade, posto que tanto algumas famílias quanto instituições de ensino acreditam que orientar os adolescentes como se prevenir sexualmente irá influenciá-los a ingressar precocemente na vida sexual. Dentro dessa lógica, percebe-se que os programas de educação sexual que existem nas escolas abordam predominantemente as doenças sexualmente transmissíveis, negligenciando temas como o da gravidez na adolescência o que provoca um déficit no conhecimento do jovem sobre o assunto.
Ademais, nota-se que o meio social em que o adolescente está inserido é um fator relevante para a alta incidência de gravidez durante a juventude. Segundo o Economista Roberto Campos, tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades. Visto isso, é notório que a desigualdade social existente no Brasil resulta em jovens sem perspectivas em relação ao futuro, a medida que não tem acesso a uma educação de qualidade. Sob esse viés, é importante destacar que depois de uma gravidez não planejada fica ainda mais difícil da jovem mãe se inserir no mercado de trabalho e melhorar sua condição de vida.
Torna-se evidente, portanto, que a gravidez na adolescência é uma problemática da sociedade brasileira sendo assim imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizá-la. Para tanto, o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação devem criar políticas públicas que integrem as duas esferas, por meio de palestras, debates e divulgação de material educativo nas escolas sobre as formas de prevenção e os riscos de uma gravidez precoce a fim de instruir corretamente os jovens. Além disso, o Estado deve investir na promoção de atividades culturais e esportivas em comunidades carentes no intuito de diminuir o tempo ocioso desse jovem mais vulnerável e assim promover a inclusão na sociedade dos brasileiros marginalizados igualando as oportunidades como dizia Roberto Campos.