Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/07/2019
A construção histórica-social a respeito do sexo foi de total negligência, sendo vetado o diálogo sobre o mesmo dentro dos lares brasileiros. A profusão de desinformação sobre o sexo e os métodos anticonceptivos, gerou entre os jovens e adolescentes, principalmente aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica, índices elevados de gravidez.
Historicamente visto como tabu, o sexo tornou-se algo restrito, por fatores éticos, culturais, sociais e religiosos. Entretanto, o número de adolescentes que possuem vida sexual ativa apenas aumentou no decorrer dos anos. A vergonha ou até mesmo timidez por parte das famílias, tem bloqueado esse diálogo que necessariamente precisa ocorrer entre pais e filhos, para que haja retenção não somente nos números alarmantes de gravidez antes dos 18 anos, mas também nas altas taxas de doenças sexualmente transmissíveis.
De acordo o Instituto de pesquisa econômica aplicada (IPEA), os índices de gravidez na adolescência se concentram entre meninas de baixa renda, ainda segundo o IPEA, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola. Nem sempre sendo fruto da falta de prevenção, várias vezes é o resultado da ausência de perspectiva de vida e opções de um futuro melhor. Esses fatores apresentados, nutrem a manutenção das desigualdades sociais e econômicas, pois a jovem mãe fica praticamente impossibilitada de oferecer uma vida digna para a criança, com sáude, educação e lazer.
O Brasil é recordista em casos de gravidez na adolescência, e essa é uma realidade que pode ser revertida com ações concretas e incisivas, mas também com o diálogo. Têm-se por necessário, da parte das famílias, abertura, para que haja comunicação entre pais e filhos. Cabe ás escolas, o encorajamento à realização de palestras e aulas expositivas sobre o sexo e métodos anticonceptivos, e que a sociedade vença esse tabu e comece a explanar o tema com mais naturalidade.