Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 05/07/2019

A idade da menarca diminuiu consideravelmente nos últimos anos e um dos possíveis fatores seria a nutrição atual das crianças. Em 1900, a menstruação ocorria por volta dos 17 anos, hodiernamente esse fenômeno biológico acontece por volta dos 11 ou 12 anos. Concomitantemente, a falta de escolarização e a erotização precoce possibilitaram o aumento da gravidez na adolescência.

A priori, é preciso ressaltar que a gravidez precoce é um problema multifatorial e atinge todas as classes sociais, sobretudo os grupos de maior vulnerabilidade social - que geralmente possuem um menor nível de escolaridade.Tal panorama é comprovado por meio de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cujos índices atestam que 35,5% das jovens adolescentes grávidas moravam no Nordeste, sendo que 85% dessas não completaram o ensino médio. Dessa forma, o escasso acesso a políticas de prevenção, o analfabetismo funcional e a deficitária educação sexual contribuem para  agravar as consequências psicossociais desse problema que culminam na falta de estrutura familiar.

Outrossim, o hedonismo que é uma doutrina-filosófica grega afirmava ser o prazer o bem supremo da vida. Desse modo, algumas Redes de entretenimento investem massivamente na erotização, tornando explícitos conteúdos sexuais e pornográficos que geram lucro em detrimento de graves consequências sociais. Uma delas é a erotização infantil, que pode ser inclusive percebida em desenhos animados, em que se torna visível o uso de elementos adultos no vestuário de bonecas e personagens lúdicos .Com o acesso deliberado a internet, esses conteúdos se disseminam possibilitando o acesso de crianças e adolescentes a temas impróprios para sua fase de desenvolvimento. O resultado disso é o aumento da gravidez precoce, pois a sexualidade acaba sendo desviada para o erótico, a excitação, o sensual, quando na realidade deveria ser canalizada para a construção das emoções, das relações interpessoais e do desenvolvimento da afetividade.

Infere-se, portanto, que urge  a necessidade de se implementar políticas públicas de prevenção a gravidez indesejada.O Ministério da Saúde em parceria com as Prefeituras e Secretarias de Assistência social ficam incumbidos de desenvolver ferramentas que atenuem esse óbice. A União pode destinar verbas as prefeituras a fim de que se inicie trabalhos de prevenção e quebra do tabu ligado a palavra sexo, por meio do acesso gratuito a palestras e eventos sociais em centros educacionais e postos de saúde. Ademais, é imperioso que projetos pedagógicos possam ser desenvolvidos nas escolas, por meio de parcerias com os pais, a fim de estimular o diálogo em casa, como forma de manter um canal de comunicação entre pais e filhos que resultem num bom planejamento familiar.