Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 06/07/2019
Carolina Maria de Jesus, em “Quarto de Despejo”, descreve cenas dos moradores de sua comunidade e, em vários momentos, relata histórias de jovens meninas diante da descoberta da gravidez precoce, as dificuldades que elas enfrentam e a mortalidade materna que ocorre em diversos casos. Para além da literatura, essa realidade também se faz presente e não é exclusividade dos habitantes das periferias, afinal, afeta adolescentes de diversas classes sociais, comprometendo não só o desenvolvimento psicossocial da mãe como também o da criança.
De fato, o número de adolescentes grávidas é bastante significativo, dado evidenciado pelo levantamento da SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), de 2014, o qual apontou que na região de Ribeirão Preto, das 17.737 mulheres que deram à luz, 2.527 tinham até 19 anos, sendo 102 menores de 15 anos. Nesse contexto, uma das causas é o relacionamento precoce vivido pela maioria das jovens, que iniciam suas relações sexuais prematuramente, em muitos casos, por coerção do companheiro. Assim, em paralelo à literatura, elas acabam vivenciando o mesmo que Clara dos Anjos, personagem de Lima Barreto, que após sofrer várias investidas de Cassi Jones, cede as suas propostas e engravida do então parceiro, que a despreza diante de toda situação.
Ademais, é importante ressaltar o papel da sociedade no que tange à gravidez e às relações sexuais, pois devido ao tabu existente em torno desses assuntos, muitos pais sentem-se desconfortáveis para conversar sobre o tema com seus filhos, passando a responsabilidade para as escolas, que nem sempre apresentam base necessária para abordar essas questões. Com isso, grande parte dos jovens cresce desinformada e, quando muito, obtém informações de fontes não confiáveis, como sites adultos.
Dessa forma, torna-se evidente a necessidade de medidas que visem solucionar o problema da gravidez precoce no Brasil. Para tanto, cabe ao Legislativo instituir uma lei que proíba as uniões antes dos 18 anos, com penas como multas e obrigatoriedade de prestação de serviços públicos aos responsáveis que apoiarem a situação. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve desenvolver campanhas nas escolas, com aulas dobre educação sexual, ministradas por especialistas, que esclareçam as dúvidas dos jovens e os orientem com relação ao uso de métodos contraceptivos. Assim, será possível diminuir o número de mães adolescentes e, consequentemente, lançá-las a um futuro mais promissor.