Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/07/2019
No contexto da gravidez na adolescência, o Brasil está acima da média das Américas com uma taxa de 48 para 1000 nascimentos, segundo o Sistema de Informação Sobre Nascidos Vivos. Das adolescentes grávidas, 76 % abandonam a escola, segundo dados do IPEA. Dessa forma, deve-se buscar entender o que tem causado a gravidez precoce e principalmente buscar políticas públicas para prevenir e remediar esse fenômeno entre os adolescentes.
Primeiro, a popularização da internet e mídias sociais tem exposto as crianças e os adolescentes a um contexto de hiperssexualização, que pode antecipar o interesse por sexo e propiciar a busca por pornografia. Sem o discernimento adequado, os adolescentes podem adquirir conceitos errôneos sobre sexo sem que haja uma educação sexual adequada que ensine a melhor hora de iniciar a vida sexual, quais cuidados se deve ter e quais consequências pode gerar.
De maneira poética, a música “Desconstrução” de Tiago Iorc retrata esse efeito preocupante, onde uma jovem expôs nas redes sociais a sua nudez e “confiou sua primeira vez, no rastro de um pai que não via”. Nesse sentido, a falta de supervisão dos pais e o pouco diálogo em relação ao conteúdo acessado pelos filhos pode favorecer uma vida sexual precoce e como consequência resultar, na melhor das hipóteses, em uma gravidez indesejada. Pois, os riscos são ainda maiores, como a nova onda de HIV e sífiles entre jovens, provocada também pelas múltiplas relações afetivas favorecidas por aplicativos de relacionamento.
Assim, o sexo não deve ser tratado como um tabu pelas famílias e escolas. Deve-se proteger as crianças e adolescentes da hiperssexualização, ao passo que deve ser mantido e incentivado o diálogo sobre como alcançar maturidade para iniciar uma vida sexual, como prevenir a gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis, além de conceitos sobre práticas não violentas de sexo, isto é, o sexo consentido pelas duas partes sem causar danos a ninguém.
Portanto é preciso tratar o problema com duas frentes: a prevenção e a permanência das adolescentes grávidas na escola. Primeiro, o governo federal, por parte do Ministério da Saúde e do Ministério da educação, poderia contratar “Youtubers” vistos pelos adolescentes para abordar esse assunto de maneira educativa nos vídeos, como um bate-papo atraente para a faixa etária, expondo os riscos do sexo desprotegido e das consequências da gravidez prematura. Segundo, as secretárias de educação poderiam criar um programa de apoio a adolescentes grávidas, fornecendo mais facilidade ao acesso ao posto de saúde mais próximo da escola para acompanhamento do pré-natal, além de flexibilizar as regras escolares para que a adolescente chegue a conclusão do período letivo.