Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 06/07/2019
No Brasil, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os índices de gravidez precoce são estimados em 68,4 para cada 1 mil habitantes. Esses dados são ainda mais preocupantes quando a maioria dos casos ocorrem em populações que vivem em condições de vulnerabilidade social e econômica, pois as dificuldades são mais intensas nesses grupos. Diante disso, se vê a necessidade de medidas que sejam capazes de conter e modificar o atual cenário.
Em primeiro lugar, os índices elevados acerca do tema são decorrentes do tabu sobre sexualidade que ainda é tão enraizado na sociedade. As escolas falam muito sobre doenças sexualmente transmissíveis mas acabam não prezando a discussão sobre métodos contraceptivos. Esse pressuposto parte de uma ideia equivocada a respeito do início da vida sexual na adolescência, como se a discussão do tema fosse premissa para tal ato. Sendo assim, muitos jovens têm receio de se informar sobre o assunto e iniciam sua vida sexual sem os devidos conhecimentos.
Fator que ilustra esse cenário são as consequências de um nascimento não planejado na adolescência, incluindo as dificuldades encontradas ao tentar ingressar no mercado de trabalho, o que acarreta em uma dependência financeira ao cônjuge, o risco de aborto e o abando da escola. Segundo o Globo Repórter, 56% das adolescentes que engravidam abandonam a escola antes de completar o ensino médio. Sendo assim, essa situação pode gerar transtornos psicológicos, baixa escolaridade e, consequentemente, pouca perspectiva de futuro.
Destarte, é importante que as escolas incluam em sua grade curricular o tema sobre sexualidade na adolescência e proporcione palestras para comunidade a fim de conscientizar que o uso correto de métodos contraceptivos, além de prevenir doenças, evitam uma gravidez indesejada. Além disso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas e difundir, por meios midiáticos e palestras, que os postos de saúde dos municípios disponibilizam tanto preservativos femininos quanto masculinos e pílulas anticoncepcionais para as pessoas de baixa renda, inclusive, orientar o uso correto desses métodos. Só assim será possível sanar as dúvidas relacionadas à vida sexual, garantir que os adolescentes estejam conscientizados e aptos para o início dessa fase e tenham suas oportunidades sociais ampliadas, como educação e trabalho.