Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 05/07/2019
De acordo com dados revelados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país que possui o maior índice de gravidez precoce na América Latina. Nesse contexto, é irrefutável que a alta taxa de gravidez na adolescência confirma um fenômeno flagelador na sociedade contemporânea, o qual tem de ser encarado com um problema de saúde pública. Por conseguinte, destaca-se que essa mazela é fruto de uma sociedade desinformada e recheada de tabus indiscutíveis.
Em primeiro plano, vale ressaltar a desinformação acerca da educação sexual, visto que a sociedade possui uma falsa ideia que, ao instruir os adolescentes sobre a prevenção sexual, pode encorajá-los a serem sexualmente ativos. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, toda a sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Partindo desse pressuposto, nota-se a intervenção do cristianismo na colonização que impôs a pureza sexual dos jovens e influenciou de forma significativa no decorrer das décadas, visto que a sociedade contemporânea incorporou essa prática e naturalizou um tabu que percorre a vida de muitos adolescentes, trazendo consequências irreparáveis.
Ademais, destaca-se ,ainda, que, como a sexualidade é tratada como um tabu na sociedade, a falta de diálogo corrobora a não resolução dessa mazela vivenciada por jovens, como afirma o Michel Foucault em sua teoria das palavras proibidas. Paralelo a isso, os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm o necessário discernimento para analisá-las de forma crítica. Enquanto os pais não dialogam e a escola prega orientações puramente científicas, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, de forma que aumente deliberadamente o número de adolescentes grávidas.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de diminuir as taxas de gravidez na adolescência para que os jovens desfrutem da vida conforme suas idades. Desse modo, cabe ao Ministério de Saúde, em conjunto com a mídia - haja vista seu alto poder persuasivo -, promover campanhas educacionais sobre sexualidade e as devidas formas de prevenção à gravidez , como forma de informação e de ampliação de conhecimento dos jovens. Destarte, é imprescindível a participação da família como fonte de informação e de direcionamento acerca do assunto. Logo, para reverter essa problemática , deve-se estimular a abordagem do tema com os pais e membros da família, ampliando o diálogo e evitando complicações futuras. Assim, o Brasil sairá do ranking apontado pela OMS, pois tabus serão desmistificados e sociedade atingirá um bem-estar social.